O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, discursou nesta quarta-feira (21), no Fórum Econômico Mundial, em Davos, e utilizou o principal palco da elite política e empresarial global para elogiar a economia americana, ao mesmo tempo em que fez críticas diretas à Europa, defendeu cortes no Estado e reforçou sua agenda geopolítica. Entre declarações econômicas, críticas à Europa e afirmações geopolíticas provocativas, Trump voltou a centrar parte de sua fala na Groenlândia, território autônomo do Reino da Dinamarca que ele assegura ser estratégico para os Estados Unidos.
Trump reafirma que Groenlândia deveria estar sob domínio americano
Segundo Trump, a Groenlândia, a maior ilha do mundo, “faz parte da América do Norte, na fronteira norte do Hemisfério Ocidental” e, portanto, deveria estar sob controle americano.
“Esta enorme ilha desprotegida faz parte da América do Norte, na fronteira norte do Hemisfério Ocidental. Esse é o nosso território”, declarou em Davos
O presidente argumentou que os Estados Unidos teriam “salvado” a Groenlândia após a Segunda Guerra Mundial e impedido que inimigos ganhassem terreno no Hemisfério Ocidental, repetindo analogias semelhantes às que tem feito em relação à indústria petrolífera venezuelana, cuja construção nos séculos passados ele disse ter sido liderada por empresas americanas e, segundo ele, “roubada” de volta.
Trump afirmou ainda que não planeja “usar força” para obter a Groenlândia, mas deixou claro que quer “negociações imediatas” sobre sua aquisição pelo governo dos EUA.
“Tudo o que os EUA estão pedindo é a Groenlândia”, disse, repetindo a frase em diferentes momentos.
Críticas à Europa e encontro com Zelensky
O presidente também fez comentários que tensionaram ainda mais aliados europeus, afirmando que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e os países do bloco não valorizam a contribuição americana para a segurança coletiva. Segundo ele, sem ajuda militar e econômica dos EUA a maioria dos países “não funciona”.
O presidente também mencionou que planeja se encontrar com o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky ainda hoje em Davos, em uma referência às tentativas de integração de diferentes frentes diplomáticas durante o evento.
Trump: “a inflação dos EUA foi derrotada”
Trump afirmou que a inflação nos Estados Unidos foi derrotada e disse que a inflação subjacente está em 1,5%. Segundo ele, a economia americana deve crescer 5,4% no quarto trimestre, ritmo que, em sua avaliação, será cerca do dobro da taxa projetada pelo Fundo Monetário Internacional.
De acordo com o presidente, suas políticas econômicas vão impulsionar ainda mais o crescimento e elevar os padrões de vida da população. Ao comparar os Estados Unidos com a Europa, Trump afirmou que certos lugares do continente “já não são reconhecíveis, no mau sentido”, e disse que a região não está indo na direção certa. O presidente também voltou a defender a redução do tamanho do Estado, com cortes de gastos federais e demissões no funcionalismo público.
Durante a fala, Trump aproveitou para fazer referência ao Federal Reserve (Fed), reclamando que a autoridade monetária tradicionalmente foi lenta e distante de sua visão econômica nos últimos anos, e defendeu que os EUA deveriam pagar “as taxas de juros mais baixas” possíveis.
Trump fala sobre cenário energético global
Na área energética, Trump destacou o aumento das exportações americanas, a expansão da produção nacional de aço e afirmou que a produção de petróleo e gás natural dos EUA está no maior nível da história. Segundo ele, o preço da gasolina deve cair para menos de US$ 2 por galão.
O presidente também defendeu a energia nuclear como alternativa segura e barata, afirmando que os Estados Unidos estão investindo fortemente no setor. Em contrapartida, atacou as energias renováveis, especialmente a eólica, dizendo que parques eólicos são feios, matam pássaros e destroem paisagens. Sem apresentar dados, afirmou que quanto mais turbinas um país possui, pior tende a ser sua situação econômica.
*Em atualização













