Viver onde o vizinho é o chefe de polícia e o supermercado fica a um elevador de distância é a realidade de Whittier. Conhecida como a cidade sob o mesmo teto, a localidade abriga cerca de trezentas pessoas no complexo Begich Towers para resistir ao clima ártico implacável.
O legado da Guerra Fria moldou a sobrevivência no Ártico
Embora a presença militar na região tenha iniciado na Segunda Guerra Mundial, o edifício atual foi erguido em 1957, no auge das tensões com a União Soviética. A estrutura de concreto armado foi projetada para suportar bombardeios e invernos brutais, servindo hoje como o único refúgio viável contra a natureza selvagem.
A decisão de manter a população concentrada neste monólito não é apenas estética, mas uma necessidade logística. O aquecimento de uma única estrutura maciça consome menos recursos do que manter centenas de casas individuais aquecidas contra ventos que frequentemente superam os 130 quilômetros por hora.

A logística vertical substitui ruas por elevadores e corredores
No interior do Begich Towers, os corredores atuam como vias públicas onde os residentes acessam serviços essenciais sem enfrentar a neve. A delegacia, os correios e a lavanderia operam nos andares inferiores, criando um ecossistema autossuficiente que funciona mesmo durante nevascas severas.
Essa configuração elimina o deslocamento tradicional e transforma a dinâmica social. Médicos e pacientes, professores e alunos vivem lado a lado, o que gera uma comunidade hiperconectada onde o anonimato é praticamente impossível.
O acesso ao mundo externo depende de um túnel restrito
A única via terrestre para entrar ou sair de Whittier é o Anton Anderson Memorial Tunnel, que atravessa a montanha Maynard. Este trajeto de quatro quilômetros opera em mão única, alternando entre carros e trens, e fecha totalmente durante a noite, isolando fisicamente a cidade até o amanhecer.
Para garantir a educação segura das crianças, um túnel pedestre subterrâneo conecta a torre residencial diretamente à escola local. Isso permite que o ano letivo continue sem interrupções, independentemente das condições meteorológicas externas.
Quem ama curiosidades geográficas, vai curtir esse vídeo do canal Ruhi Cenet Documentaries, que conta com milhares de visualizações, onde Ruhi Cenet mostra detalhadamente a vida em Whittier, no Alasca, a cidade onde todos moram no mesmo prédio:
O desafio mental de viver sem sair do complexo habitacional
A extrema proximidade entre os habitantes exige regras de convivência rígidas e muita tolerância. A falta de privacidade e a sensação de confinamento, somadas aos meses de baixa luminosidade, tornam a saúde mental uma prioridade constante para quem decide fixar residência no local.
Muitos moradores relatam uma relação de amor e ódio com o edifício. A proteção contra os elementos é inegável, mas a “febre da cabana” é um risco real que exige atividades comunitárias intensas para manter o moral elevado durante o inverno.

