O mercado financeiro brasileiro teve um pregão de estabilidade nesta segunda-feira (19). O dia foi marcado por baixa liquidez, em função do feriado nos Estados Unidos, que manteve fechados os mercados de Nova York. Em um ambiente mais esvaziado, o Ibovespa operou próximo da estabilidade, refletindo o aumento da aversão ao risco no cenário internacional.
Segundo Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Fórum Investimentos, o desempenho morno do índice local ocorre em meio a um contexto externo mais adverso, especialmente após o anúncio de novas tarifas comerciais por Donald Trump contra economias europeias.
“O Ibovespa roda de lado hoje, com os mercados fechados nos EUA e impactado negativamente pelo aumento da aversão ao risco no exterior”, avalia Perri.
Europa em queda e China decepcionam mercados
As bolsas europeias reagiram negativamente às sinalizações protecionistas vindas dos Estados Unidos, enquanto os dados econômicos da China também frustraram expectativas. O PIB chinês cresceu 5,0% em 2025, exatamente em linha com a meta oficial, mas com sinais claros de fragilidade, sobretudo na indústria e no varejo.
Esse cenário pressionou as commodities metálicas. O minério de ferro recuou no mercado internacional, afetando diretamente ações ligadas ao setor, como Vale e siderúrgicas, que figuraram entre as principais baixas do dia.
Destaques negativos e reação de cíclicas
Entre as ações de pior desempenho, além de Vale e siderúrgicas, chamou atenção a queda acentuada da Natura, em um movimento de correção após a forte valorização registrada na semana anterior.
Na ponta positiva, ações cíclicas e utilities reagiram melhor ao recuo dos juros, com destaque para papéis dos setores de saúde e construção, beneficiados pelo ambiente de menor estresse na curva de taxas.
Dólar recua e ajuda juros locais
No mercado de câmbio, o dólar apresentou queda global, refletida no recuo do índice DXY. Segundo Perri, parte do movimento é técnico, de correção, mas também está relacionada à leitura de que as iniciativas comerciais de Trump minam gradualmente a confiança dos EUA como referência global.
A desvalorização da moeda americana contribuiu para aliviar a pressão sobre os juros no Brasil, reforçando o movimento observado ao longo da sessão.
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