As terras raras são um grupo de 17 elementos químicos vitais para a tecnologia moderna, mas seu mercado é dominado por um único país. Ao controlar mais de 90% da produção global, a China criou um monopólio estratégico que hoje usa como arma geopolítica, deixando o Ocidente refém.
O que exatamente são as terras raras e por que são vitais?
O nome engana: as terras raras não são tão raras na crosta terrestre, mas são extremamente difíceis de encontrar em concentrações economicamente viáveis e, principalmente, de separar umas das outras. O processo de refino é complexo e altamente poluente.

Elas são os “super-ingredientes” da alta tecnologia, essenciais para a fabricação de ímãs permanentes superpotentes, que são cruciais para motores de carros elétricos, turbinas eólicas e sistemas de mísseis guiados.
Aplicações críticas das terras raras:
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Eletrônicos: Smartphones (telas, vibração), fones de ouvido.
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Defesa: Mísseis, drones, lasers e sistemas de radar.
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Energia Limpa: Ímãs para turbinas eólicas e motores de carros elétricos.
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Medicina: Equipamentos de ressonância magnética.
Como a China construiu seu monopólio global?
A estratégia chinesa foi um jogo de longo prazo. Nas décadas de 1980 e 1990, enquanto países ocidentais fechavam suas minas devido ao alto custo ambiental do refino, a China decidiu absorver esse passivo ecológico para dominar a cadeia de suprimentos.
Para descobrir a importância de recursos minerais vitais para a tecnologia moderna, selecionamos o conteúdo do canal Manual do Mundo, que já conta com mais de 16 milhões de inscritos. No vídeo, o especialista detalha visualmente o que são as “terras raras”, por que elas são essenciais para smartphones e carros elétricos, e o enorme potencial das reservas brasileiras nesse setor:
Com mão de obra barata e regulações ambientais frouxas na época, o país conseguiu oferecer preços imbatíveis, quebrando a concorrência e consolidando um monopólio que vai da mina ao ímã. Foi uma aposta estratégica que se pagou décadas depois.
De que forma esse monopólio é usado como arma geopolítica?
O controle sobre as terras raras dá à China uma poderosa ferramenta de barganha. O país pode restringir as exportações, como fez em uma disputa com o Japão em 2010, causando um pânico global nos mercados de tecnologia e defesa.
Essa dependência deixa a indústria militar e de energia verde do Ocidente extremamente vulnerável. Construir um caça F-35 ou uma turbina eólica de última geração depende, em última instância, da boa vontade de Pequim.
Consequências da dependência ocidental:
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Vulnerabilidade da indústria de defesa.
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Risco para as metas de transição energética.
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Exposição a choques de preço e interrupções no fornecimento.
O Ocidente está tentando reagir a essa dependência?
Sim, mas a corrida para alcançar a China é lenta e cara. Os Estados Unidos e a Austrália estão reativando minas e investindo em novas tecnologias de refino menos poluentes. A reciclagem de terras raras de produtos eletrônicos descartados também é uma fronteira em desenvolvimento.
O Brasil possui a segunda maior reserva de terras raras do mundo, mas a exploração ainda é incipiente. O desenvolvimento desse potencial é uma prioridade estratégica para a Agência Nacional de Mineração (ANM) e para o Serviço Geológico do Brasil (CPRM).
| Característica | Mineração de Terras Raras (China) | Mineração no Ocidente (Tentativa) |
| Custo de Produção | Baixo (historicamente). | Alto (devido a regulações ambientais e trabalhistas). |
| Cadeia de Suprimentos | Verticalmente integrada (da mina ao ímã). | Fragmentada e dependente do refino chinês. |
| Posição no Mercado | Dominante (Monopólio). | Marginal (Tentando recuperar terreno). |

