O mercado financeiro manteve as projeções de inflação acima do centro da meta para 2026 e sinalizou juros ainda elevados no horizonte relevante, segundo o Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (19) pelo Banco Central do Brasil.
De acordo com a mediana das expectativas, o IPCA de 2026 foi estimado em 4,02%, nível acima do centro da meta contínua de inflação, de 3%, e próximo do limite superior do intervalo de tolerância. Para 2027, a inflação esperada segue em 3,80%, enquanto para 2028 e 2029 as estimativas convergem para 3,50%, indicando uma trajetória gradual de acomodação dos preços no médio prazo.
Análise do Focus: descolamento entre expectativas pressiona decisões do BC
O economista Maykon Douglas destaca que há algum tempo, o cenário mostra um descolamento entre o que o BC e o mercado projetam para a inflação no horizonte relevante de política monetária. A mediana do Focus para o IPCA em 2027 permanece em nível acima da meta há quase três meses, após ter melhorado por algumas semanas.
“É uma trajetória incômoda que, ao meu ver, levará o BC a não cortar os juros na reunião de janeiro. Além disso, vejo uma leve assimetria de riscos na direção de menos cortes este ano, embora meu cenário-base para a taxa Selic continue em 12,25% ao ano no fim de 2026. O cenário fiscal e eleitoral definirá se essa assimetria se materializará ou não“, analisa o especialista.
Juros seguem altos no horizonte relevante do Focus
No campo da política monetária, o mercado manteve a expectativa de Selic em 12,25% ao fim de 2026, patamar que reforça a percepção de uma condução ainda contracionista da política monetária ao longo do próximo ano. Para 2027, a taxa básica é projetada em 10,50%, com novas quedas apenas nos anos seguintes: 10% em 2028 e 9,50% em 2029.
No curto prazo, as projeções indicam Selic em 15,00% em janeiro e fevereiro de 2026, com redução para 14,50% em março, sugerindo cautela do Banco Central diante do cenário inflacionário e fiscal.
Crescimento segue moderado
As estimativas para a atividade econômica permanecem contidas. O mercado projeta crescimento do PIB de 1,80% em 2026, levemente acima das projeções anteriores, mas ainda distante de um ritmo mais robusto. Para 2027, a expectativa é de 1,81%, avançando para 2,00% em 2028 e 2029.
A leitura predominante entre os analistas é de que o crescimento segue limitado por restrições fiscais, juros elevados e baixo ganho de produtividade.
Câmbio segundo o Focus
A projeção para o câmbio em 2026 foi mantida em R$ 5,50 por dólar, sinalizando um cenário de estabilidade relativa, apesar das incertezas fiscais e políticas. Para 2029, a taxa esperada sobe para R$ 5,57.













