A semana entre que começa será marcada por uma agenda intensa de indicadores macroeconômicos, decisões de política monetária e eventos políticos relevantes, com reflexos diretos sobre os mercados globais. O foco dos investidores estará dividido entre China, Estados Unidos, Europa e Brasil, em um ambiente ainda sensível a ruídos geopolíticos e fiscais.
Nos Estados Unidos, os mercados permanecem fechados nesta segunda-feira (19) em razão do feriado de Martin Luther King Jr. Day, o que reduz a liquidez global no início da semana. O fechamento ocorre após dias de elevada volatilidade, impulsionada pela escalada das tensões entre EUA e Irã, disputas geopolíticas envolvendo a Groenlândia e investigações que levantaram questionamentos sobre a independência do Federal Reserve.
Mercado de olho: China divulga PIB e decisão do banco central
A China entra no radar já no domingo (18), com a divulgação dos números consolidados do PIB de 2025. Também serão conhecidos os dados de produção industrial, vendas no varejo, investimento em ativos fixos e taxa de desemprego, referentes a dezembro.
Na noite de segunda-feira, o mercado acompanha a decisão do Banco do Povo da China (PBoC) sobre as taxas de empréstimo de referência (LPR) de 1 e 5 anos, que podem sinalizar ajustes adicionais no estímulo à economia chinesa.
Ainda na Ásia, o destaque da sexta-feira fica para a decisão de política monetária do Banco do Japão, acompanhada da divulgação do Relatório de Projeções Econômicas, documento-chave para avaliar a trajetória de juros e inflação no país.
Europa acompanha inflação e sinais do BCE
Na Europa, os investidores monitoram os dados de inflação ao consumidor (CPI) da Zona do Euro e do Reino Unido, além do Índice ZEW da Alemanha, que mede a percepção de analistas e investidores sobre as condições atuais e futuras da economia.
“O discurso de Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu, na quarta-feira, também deve ganhar atenção especial, assim como a ata da última reunião de política monetária do BCE, divulgada na quinta-feira“, destaca Francisco Alves, apresentador do Pre-Market.
Estados Unidos: crescimento, inflação e mercado de trabalho
Apesar do feriado na segunda-feira, a agenda americana ganha força ao longo da semana. Entre os principais destaques estão o ADP de emprego no setor privado, os dados de pedidos de seguro-desemprego, o PIB do terceiro trimestre e os números do PCE, principal indicador de inflação acompanhado pelo Federal Reserve.
Na sexta-feira, os PMIs preliminares e o índice de confiança do consumidor da Universidade de Michigan ajudam a calibrar as expectativas sobre atividade econômica e consumo.
Brasil: inflação e atividade no radar
No cenário doméstico, o mercado acompanha o Boletim Focus, os dados de atividade econômica e o IPCA-15, prévia da inflação oficial.
“Os indicadores serão determinantes para ajustar as projeções de inflação e juros, em um momento em que o investidor segue atento ao cenário fiscal e à condução da política econômica“, destaca Alves.
Temporada de balanços e eventos globais
A semana também marca a continuidade da temporada de resultados do quarto trimestre nos EUA, com balanços de empresas como Netflix, Intel, 3M, Johnson & Johnson e Procter & Gamble.
No campo político e institucional, ocorre o Fórum Econômico Mundial, em Davos, reunindo líderes políticos e econômicos globais. Está previsto ainda um discurso do presidente Donald Trump, que pode trazer novos ruídos ao mercado, especialmente diante das recentes ameaças de tarifas à Europa.
Outro ponto de atenção é a assinatura do acordo histórico entre Mercosul e União Europeia, que cria a maior área de livre comércio do mundo e pode ter impactos relevantes sobre comércio, investimentos e cadeias globais de produção.
Fluxo estrangeiro segue positivo na B3
No mercado acionário brasileiro, o fluxo de capital estrangeiro permanece positivo. Na quarta-feira (14), houve entrada líquida de R$ 1,646 bilhão na B3. No acumulado do mês e do ano, o saldo positivo já soma R$ 4,63 bilhões, reforçando o interesse do investidor internacional pelos ativos locais.














