Entre as muitas curiosidades sobre estradas e rodovias ao redor do mundo, poucas chamam tanta atenção quanto uma via na costa oeste da França que simplesmente “some” no mar todos os dias, um trecho pavimentado que conecta o continente à ilha atlântica de Noirmoutier, chamado de Passagem do Gois e que, em determinados horários, deixa de existir aos olhos de quem passa, coberto completamente pela água.
O que é a Passagem do Gois e onde ela fica na França?
A Passagem do Gois é uma estrada de aproximadamente 4,2 quilômetros que liga o litoral do departamento de Vendée, no oeste da França, à ilha de Noirmoutier, construída em uma área de baixio que fica exposta na maré baixa e submersa na maré alta. Por isso, é considerada uma das estradas mais peculiares do mundo, atraindo motoristas, ciclistas, pedestres e curiosos do mundo todo.
Em vez de seguir por pontes elevadas ou túneis submersos, a ligação entre o continente e a ilha acontece diretamente sobre o leito costeiro, que alterna entre estrada aparentemente comum e faixa completamente coberta pelas águas do Atlântico. Essa peculiaridade faz da região um caso singular de convivência entre infraestrutura viária e ciclos do oceano.

Como funciona a Passagem do Gois com o regime de marés?
O funcionamento da Passagem do Gois está diretamente ligado ao regime de marés do oceano Atlântico, que duas vezes por dia sobe o suficiente para cobrir completamente a via e, em seguida, recua, revelando a faixa pavimentada. Assim, a estrada só pode ser utilizada em janelas de tempo bem definidas, calculadas com base em tabelas oficiais de maré.
De forma geral, a travessia é considerada segura por cerca de três horas, divididas em 1h30 antes e 1h30 depois da maré baixa, período em que carros, bicicletas e pedestres podem passar. Para orientar os usuários, foram instalados painéis ao longo dos acessos, informando com precisão quando a Passagem do Gois está liberada ou quando há risco de submersão.
Quais são os principais riscos e medidas de segurança na Passagem do Gois?
A particularidade que torna a Passagem do Gois tão famosa também representa perigo para quem subestima a rapidez da maré e tenta atravessar fora do horário indicado. Ao longo dos anos, diversos motoristas foram surpreendidos pela subida da água, precisando abandonar o veículo e buscar abrigos de emergência instalados na própria estrada.
Para reduzir incidentes, as autoridades locais implementaram uma série de recursos de segurança ao longo da via, que ajudam a planejar a travessia e a proteger pessoas em situações de risco. Entre as principais medidas adotadas estão:
- Painéis informando claramente os horários seguros de maré e travessia.
- Sinalizações alertando sobre o risco de submersão rápida da estrada.
- Torres de resgate elevadas para abrigo temporário acima do nível da água.
- Recomendações oficiais de planejamento rigoroso antes de acessar a via.
Essa estrada na França desafia o tempo e a natureza com uma rotina impressionante (Créditos: depositphotos.com / BreizhAtao)
Qual é a história da Passagem do Gois e sua importância local?
O uso da faixa que hoje corresponde à Passagem do Gois remonta pelo menos ao século XVI, quando moradores já aproveitavam os períodos de maré baixa para atravessar entre o continente e a ilha de Noirmoutier. Com o tempo, o caminho foi sendo consolidado, ganhou pavimentação e tornou-se rota essencial para transporte de mercadorias, trabalhadores e serviços.
Durante séculos, essa rota foi a principal ligação terrestre entre a ilha e o restante da França, moldando o comércio, o turismo e o cotidiano da população local. Mesmo após a construção de pontes modernas, a Passagem do Gois manteve papel simbólico e prático, ainda utilizada por moradores, pescadores e visitantes em determinadas épocas do ano.
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Por que a Passagem do Gois é tão procurada por turistas?
A combinação de estrada, maré e paisagem transformou a Passagem do Gois em um dos pontos turísticos mais curiosos da França, famosa por “desaparecer” sob a água em questão de horas. Muitos visitantes viajam até Vendée para observar o momento em que a estrada some, ou para atravessá-la totalmente exposta durante a maré baixa e registrar fotos e vídeos.
Na maré baixa, é possível caminhar ou dirigir por todo o trajeto, observando bancos de areia e áreas rasas ao redor, enquanto na maré alta a região se transforma em trecho de mar aberto, sem qualquer ligação visível entre a ilha e o continente. Essa mudança radical, em poucas horas, reforça como algumas rodovias ainda dependem diretamente de fenômenos naturais em vez de grandes obras de engenharia.


