Balneário Camboriú é conhecida pelos seus arranha-céus que desafiam a engenharia, mas agora a batalha acontece no nível do solo. Para proteger a orla mais valorizada do Brasil, a prefeitura iniciou a construção de uma muralha subterrânea de 6 mil metros, projetada para travar uma disputa direta contra a força da erosão marinha.
Por que essa barreira é necessária agora?
A intervenção, que teve início em agosto de 2025, é uma resposta técnica urgente para preservar o mega-alargamento da faixa de areia realizado em 2021. Naquela época, a praia passou de 25 para 70 metros de largura, criando uma nova dinâmica costeira.
Sem essa proteção, o mar avançaria gradativamente sobre a areia nova, colocando em risco não apenas a área de lazer, mas a infraestrutura urbana que fica a poucos passos da água. O muro funciona como uma “espinha dorsal” rígida que estabiliza o terreno contra o impacto das ressacas.

Quanto custa blindar a orla mais luxuosa do Brasil?
Proteger o metro quadrado mais caro do país, avaliado em R$ 14.906, exige investimentos pesados. A construção do muro de contenção recebeu um aporte de R$ 31 milhões e utiliza uma base de “pedra rachão”, material escolhido pela alta durabilidade em ambiente salino.
Para entender a dimensão da obra que acontece sob os pés dos turistas, veja os dados técnicos:
| Estrutura | Dados do Projeto | Função |
|---|---|---|
| Extensão total | 6.000 metros (6 km) | Proteger toda a Praia Central |
| Prazo de obra | 20 meses | Execução em etapas |
| Custo do muro | R$ 31 milhões | Contenção de marés |
| Drenagem extra | R$ 53 milhões | Evitar alagamentos urbanos |
O fim dos alagamentos na avenida?
Além da barreira contra o mar, a obra ataca outro problema crônico da região: a água da chuva. Foram destinados outros R$ 53 milhões especificamente para um sistema de macrodrenagem.
Essa infraestrutura corre paralela ao muro e promete acabar com as cenas de alagamentos na Avenida Atlântica durante tempestades de verão, garantindo que a valorização imobiliária seja acompanhada de segurança urbana real.

Como ficou a praia após a transformação?
A mudança na paisagem de Balneário Camboriú é drástica. Para quem não viu o resultado do alargamento que agora está sendo protegido, a diferença visual é impactante.
O canal Conexão Norte SC, que conta com cerca de 2,93 mil inscritos acompanhando as transformações no litoral catarinense, registrou detalhes de como a faixa de areia de 70 metros reconfigurou o espaço de lazer na cidade:
O que vem depois do muro?
A finalização da muralha, prevista para ocorrer ao longo dos próximos meses, é apenas a base para o futuro da orla. Sobre essa proteção subterrânea, a cidade planeja instalar novos equipamentos urbanísticos, como pistas de corrida, ciclofaixas e áreas de convivência.
Essa engenharia complexa reforça que manter o título de “Dubai Brasileira” exige mais do que prédios altos; exige um esforço constante para domar a natureza e garantir que o mar continue sendo um atrativo, e não uma ameaça.

