Parecem uma minhoca de aço gigante que avança no subsolo, mas as máquinas perfuradoras de túneis, conhecidas como Tatuzões ou TBMs, são verdadeiras fábricas subterrâneas. Elas não apenas escavam, mas deixam o túnel de metrô pronto e acabado atrás de si, em um processo contínuo e seguro.
Como funcionam as máquinas perfuradoras de túneis?
A “cabeça de corte” frontal, um disco gigante com lâminas de aço, gira e tritura a rocha e o solo à sua frente. O material escavado é transportado por uma esteira para a retaguarda, enquanto macacos hidráulicos empurram a máquina para frente, apoiando-se no próprio túnel que acabaram de construir.

Enquanto avança, um braço robótico na parte traseira instala os anéis de concreto pré-moldado (aduelas) que formam as paredes definitivas do túnel. Esse ciclo simultâneo de escavação e revestimento permite um avanço de 10 a 15 metros por dia, sem que a cidade na superfície perceba.
Anatomia da máquina a seguir:
-
Cabeça de Corte: Disco rotativo que desagrega o solo.
-
Escudo: Estrutura cilíndrica que protege os operários da pressão da terra.
-
Sistema de Propulsão: Macacos hidráulicos que empurram a máquina.
-
Eretor de Aduelas: Braço robótico que monta os anéis de concreto.
Como a máquina se adapta a diferentes tipos de solo?
Não existe uma TBM universal; a tecnologia é escolhida de acordo com a geologia. Para solos moles e instáveis, como o de São Paulo, utiliza-se a tecnologia EPB (Earth Pressure Balance). Ela usa a própria terra escavada como uma “pasta” pressurizada na frente da máquina para equilibrar a pressão externa, evitando que prédios na superfície afundem.
Para desvendar os segredos da engenharia subterrânea, selecionamos o conteúdo do canal Tudo Tech HD. No vídeo a seguir, os especialistas detalham visualmente o funcionamento das gigantescas máquinas de perfuração de túneis, os famosos “tatuzões”, mostrando como essas máquinas colossais conseguem atravessar montanhas e construir infraestruturas complexas:
Já em terrenos de rocha dura, usa-se a tecnologia Hard Rock, com discos de corte mais robustos que literalmente quebram a pedra. A escolha correta da máquina é o segredo para o sucesso de projetos complexos, como a expansão da Linha 2-Verde, detalhada no site do Metrô de São Paulo.
Quais são as TBMs mais famosas do mundo?
A escala dessas máquinas é monumental. A “Bertha”, usada em Seattle, nos EUA, tinha um diâmetro de 17,5 metros, um recorde mundial. No Brasil, a “Cora Coralina”, com mais de 10 metros de diâmetro, é a maior em operação, trabalhando na expansão do metrô paulista.
A logística para montar esses gigantes é um desafio à parte. Elas chegam em peças de fabricantes como a alemã Herrenknecht e são montadas dentro de um poço de partida de dezenas de metros de profundidade, um verdadeiro quebra-cabeça de milhares de toneladas.
Recordistas em destaque:
-
Bertha (EUA): 17,5 metros de diâmetro, uma das maiores já construídas.
-
Cora Coralina (Brasil): Maior TBM em operação na América Latina.
Qual o futuro dessa tecnologia subterrânea?
A tendência é a automação. Futuras TBMs serão cada vez mais autônomas, guiadas por Inteligência Artificial para otimizar a rota e a velocidade de escavação em tempo real, reduzindo a necessidade de intervenção humana em ambientes de risco.
Além disso, a busca por “TBMs Verdes” com maior eficiência energética é uma prioridade, alinhada com as novas diretrizes da engenharia sustentável. A evolução dessas tecnologias é acompanhada de perto por conselhos profissionais como o CONFEA, que certificam a segurança e a inovação no setor.
| Característica | TBM EPB (Solo Mole) | TBM Hard Rock (Rocha Dura) |
| Mecanismo de Corte | Lâminas e dentes para solos argilosos. | Discos de corte de alta resistência. |
| Estabilização da Frente | Usa a própria terra escavada sob pressão. | Estabilidade natural da rocha. |
| Uso Típico | Metrôs em cidades (São Paulo, Londres). | Túneis em montanhas (Alpes). |