A imagem do Maracanã debaixo da água, popularizada por projeções da Climate Central, pode parecer ficção, mas é uma tendência baseada em dados alarmantes da ONU. O avanço do mar ameaça engolir o Maracanã e seu entorno, colocando o maior templo do futebol mundial na linha de frente da crise climática que desafia o Rio de Janeiro.
O avanço do mar ameaça engolir o Maracanã de verdade?
A matemática do caos é clara: o nível do mar no Rio de Janeiro já subiu 13 cm entre 1990 e 2020. A projeção da ONU é de mais 12 a 21 cm nos próximos 30 anos. Para uma cidade costeira, centímetros no oceano se transformam em metros de invasão em terra durante eventos de ressaca e maré alta.

O Maracanã está em uma baixada na Bacia da Baía de Guanabara, uma área onde, segundo o Instituto Pereira Passos, 78% da população já está exposta ao risco de inundações. A cada centímetro que o mar sobe, o perigo se aproxima do gramado mais famoso do mundo.
Eventos climáticos extremos que se intensificam:
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Ressacas: Ondas invadem a orla com mais força e frequência.
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Marés de Tempestade: A elevação do nível do mar amplia o alcance das inundações.
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Chuvas Intensas: A drenagem urbana comprometida não dá conta do volume de água.
Por que a região do estádio alaga tanto?
O problema é um colapso da engenharia hidráulica da cidade. O Maracanã fica em uma bacia natural para onde escoam as águas de rios como o Joana e o Maracanã. Esses rios tentam desaguar na Baía de Guanabara, mas enfrentam um “estrangulamento” no Canal do Mangue.
Para admirar a grandiosidade de um dos templos do futebol mundial, selecionamos o conteúdo do canal Ricardo Viana. No vídeo a seguir, o especialista detalha visualmente o Estádio do Maracanã através de imagens aéreas em 4K, capturando toda a imponência desta joia da arquitetura esportiva no Rio de Janeiro:
Quando a maré da baía está alta, ela funciona como uma rolha, impedindo que a água dos rios escoe. Esse fenômeno, conhecido como efeito de remanso, faz com que a água retorne e inunde toda a região da Tijuca e do Maracanã. Com a elevação do nível do mar, esse “repique” se torna mais frequente e severo.
Esse risco é novo ou a história se repete?
Os alagamentos não são novidade, mas estão piorando. A Grande Enchente de 1966 foi o evento mais dramático, transformando o estádio em um abrigo para 18.910 desabrigados. Desde então, a história se repete com uma frequência cada vez maior.
Recentemente, diversos jogos importantes foram paralisados ou adiados por causa de alagamentos no gramado e no entorno, mostrando que o colapso do sistema de drenagem já é uma realidade.
Jogos impactados por alagamentos recentes:
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2019: Vasco x Flamengo (Campeonato Carioca).
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2015: Flamengo x Bangu (Campeonato Carioca).
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2010: Botafogo x Vasco (Campeonato Carioca).
O que está sendo feito para proteger o Maracanã?
A Prefeitura do Rio investiu em obras de contenção, como os “piscinões” da Praça da Bandeira, que funcionam como reservatórios temporários para a água da chuva. A canalização e o desvio de rios também são medidas paliativas para tentar aliviar a pressão sobre o sistema.
No entanto, essas obras de concreto lutam contra um problema maior: a perda de 90% dos manguezais da Baía de Guanabara, que eram as “esponjas” naturais da cidade. Sem a proteção dos ecossistemas, a cidade fica mais vulnerável. Para dados sobre a população e a geografia da região, o portal do IBGE Cidades oferece um panorama detalhado.
| Causa dos Alagamentos | Fatores Naturais (Agravados) | Fatores Urbanos |
| Origem | Chuvas intensas e maré alta. | Impermeabilização do solo. |
| Escoamento | Efeito de remanso (repique da maré). | Canalização e estrangulamento de rios. |
| Defesa | Perda de manguezais e vegetação. | Sistema de drenagem subdimensionado. |

