O maior potencial de valorização da Bolsa brasileira não está mais concentrado nas commodities, mas sim nas ações cíclicas domésticas, especialmente em setores sensíveis ao ciclo econômico e à trajetória dos juros, como varejo, construção civil, shoppings e logística. A avaliação é de Max Bohm, estrategista da Nomos, em entrevista à BM&C News.
Segundo o estrategista, após a forte alta observada em empresas ligadas a commodities nos últimos meses, o espaço para novos ganhos expressivos ficou mais limitado.
“Vale pode continuar subindo, mas para avançar mais 20%, 50% ou 100%, o peso é muito grande. Quando a gente analisa valuation e potencial de valorização, o grande upside está nas cíclicas domésticas”, afirmou.
Queda dos juros favorece setores da bolsa ligados ao ciclo interno
Bohm destaca que essas empresas tendem a se beneficiar diretamente do movimento de queda dos juros futuros e da expectativa de cortes na Selic, especialmente no primeiro semestre.
“São companhias mais dependentes do ciclo doméstico e do juro. Com a queda da Selic, esses papéis tendem a andar”, disse.
Na avaliação do estrategista, se o mercado realmente caminhar para um cenário de Ibovespa aos 200 mil pontos, será necessário que essas ações tenham desempenho acima da média.
“Apesar de terem menor peso no índice, quando combinadas, essas empresas têm força suficiente para puxar a Bolsa”, explicou.
Commodities com upside mais restrito
Apesar de reconhecer o bom momento recente das commodities, Bohm avalia que o potencial adicional de valorização é mais limitado.
“Commodities andaram bem no começo do ano, mas o upside daqui para frente está mais restrito. Não vejo o grande suco da Bolsa nesse setor”, afirmou.
Para ele, as oportunidades mais relevantes estão em ações ligadas ao consumo interno e à retomada gradual da atividade econômica, onde ainda há espaço para ganhos de 30% a 40%, desde que o investidor seja seletivo.
Stock picking será determinante
O estrategista reforça que o desempenho não será homogêneo dentro dos setores e que o stock picking será essencial para capturar retornos acima da média.
“Dentro do varejo, por exemplo, existem empresas muito esticadas e outras bastante descontadas. É nessas que o investidor precisa prestar atenção”, disse.
O mesmo vale para a construção civil. Segundo Bohm, empresas voltadas para a baixa renda já negociam a múltiplos mais elevados, enquanto companhias de boa qualidade, geração de caixa consistente e múltiplos descontados ainda oferecem margem de segurança.
“Analisar múltiplos históricos e comparar empresas dentro do mesmo setor é fundamental. Apesar das altas de 60%, 70% ou até 80% em alguns papéis no ano passado, ainda existem boas oportunidades para 2026”, concluiu.













