Um estudo da Flow Executive Finders, empresa especializada em contratação de executivos como CEOs e C-levels em companhias com faturamento acima de R$ 1 bilhão, traz informações sobre o tabuleiro dos altos cargos em companhias varejistas e o porquê do turnover. “Entre 2021 e 2025, 32,4% das 102 principais varejistas do país trocaram de CEO”, disse Luiz Gustavo Mariano, sócio da Flow, ao DC NEWS TALKS, o videocast da Agência DC NEWS. O percentual representa uma taxa média anual de turnover de 7,5%.
A pesquisa diz que apesar de o índice brasileiro ficar abaixo de mercados como o americano – onde a rotatividade pode chegar a 23% em períodos de forte disrupção –, os dados indicam um setor pressionado por transformações estruturais, na avaliação de Mariano. O pós-pandemia responde por parte de uma nova dinâmica, assim como agora a inteligência artificial. O momento reflete um ambiente de negócios mais competitivo e menos tolerante a erros estratégicos, o que explica, em parte, as trocas de comando.
É do vai e vem na direção das companhias que entra o trabalho do executivo: encontrar a pessoa certa para a vaga certa. Nesse contexto, Mariano afirma que processos de sucessão precisam abandonar critérios subjetivos e partir de diagnósticos técnicos sobre os riscos e desafios de cada empresa. “Ninguém é perfeito e você precisa saber qual gap vai comprar, mas precisa ter método”, disse.
Para ele, a escolha de um CEO deve considerar a capacidade do executivo de responder a problemas específicos, de acordo com o momento da empresa. “Sempre vai depender da dor enfrentada pela empresa. É isso o que nos guia para determinar perfis ideais.” Os dados do estudo mostram que a rotatividade varia de forma relevante conforme o perfil das companhias. Empresas de capital aberto apresentaram turnover de 47,2%, quase o dobro das empresas de capital fechado, que registraram 24,2%.
TEMPO NA CADEIRA – O tempo médio no cargo também difere de forma significativa: CEOs de companhias abertas permanecem, em média, 5,6 anos no posto, enquanto nas empresas fechadas a média chega a 12,7 anos. De acordo com o levantamento, essa diferença reflete maior pressão por desempenho de curto prazo, governança mais ativa e menor tolerância a resultados insatisfatórios nas companhias listadas.
A análise por estrutura societária reforça o contraste. Empresas não familiares registraram taxa de turnover de 45,2%, ante 23,3% nas empresas familiares. O estudo aponta que, nessas organizações, os processos sucessórios tendem a ser mais longos e planejados, com maior ênfase no desenvolvimento interno de sucessores. Já em companhias não familiares, a lógica de mercado e a cobrança por resultados aceleram as trocas no comando executivo.
MAIORES MOVIMENTOS – NO recorte setorial, o levantamento identificou forte heterogeneidade. O segmento de Supermercados liderou a rotatividade, com 66,7%, seguido por Atacarejo e Varejo Eletroeletrônico, ambos com 50%. Moda e Calçados registraram 35,7%, enquanto o Varejo Alimentar ficou em 32,4%, próximo da média geral. Em sentido oposto, Farmácias/Drogarias (23,1%) e Atacarejo Construção (22,2%) apresentaram maior continuidade na liderança, associada a modelos de negócio mais estáveis e menor volatilidade de demanda.
Mariano destacou ainda o impacto financeiro das transições mal-sucedidas. Segundo ele, o custo estimado da troca de um CEO em empresas de médio porte pode chegar a US$ 1,8 milhão, considerando processos seletivos, período de transição, perda de conhecimento institucional e tempo até a nova liderança atingir plena produtividade. “Em alguns casos a troca é mandatória. Depende do momento, da urgência e de fatores internos que analisamos”, afirmou.













