Você já notou aquelas mangueiras conectadas ao centro das rodas dos caminhões nas estradas? O sistema Rodoar é uma tecnologia vital de calibração automática que mantém a pressão dos pneus constante, garantindo segurança e economia nas rodovias brasileiras.
O que é exatamente essa tecnologia e como ela funciona?
O sistema Rodoar atua como um “borracheiro robô”, monitorando a pressão dos pneus enquanto o veículo está em movimento. Ele utiliza o ar comprimido do próprio sistema de freios do caminhão para manter os níveis ideais, dispensando a necessidade de o motorista parar para conferir dezenas de pneus manualmente.

O segredo técnico está na “junta rotativa”, uma peça engenhosa que permite a passagem do ar de um tubo fixo no chassi para o pneu que gira em alta velocidade. Se ocorrer um furo, o sistema injeta ar continuamente para compensar o vazamento, mantendo o pneu cheio até o reparo.
Componentes principais a seguir:
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Painel de Controle: Monitora a pressão de dentro da cabine.
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Junta Rotativa: Conecta a parte fixa à parte móvel da roda.
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Válvula de Retenção: Isola o pneu se a mangueira romper.
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Mangueiras Externas: Conduzem o ar até o bico do pneu.
Por que o equipamento é tão comum nas estradas brasileiras?
O Brasil possui uma malha rodoviária extensa onde a logística é desafiadora, e o sistema Rodoar protege o alto investimento feito em pneus. Manter a calibragem correta evita o superaquecimento da carcaça, permitindo que o pneu seja recapado mais vezes, o que gera uma economia gigantesca para o transportador.
Além disso, a segurança é um fator decisivo em rotas perigosas ou isoladas. O sistema permite que o caminhoneiro continue rodando mesmo com um pneu furado, evitando paradas forçadas no acostamento que poderiam resultar em assaltos ou acidentes graves.
É verdade que essa invenção tem origem militar?
Sim, a tecnologia que deu origem ao sistema Rodoar foi desenvolvida pelos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial para o veículo anfíbio DUKW. O objetivo original era permitir que os soldados esvaziassem os pneus para ganhar tração na areia e os enchessem para correr no asfalto.
Para entender a engenharia por trás daqueles equipamentos curiosos nas rodas dos caminhões, selecionamos o conteúdo do canal Caminhões no Detalhe. No vídeo a seguir, os especialistas detalham visualmente o funcionamento do sistema Rodoar, explicando como ele garante a segurança e economia dos motoristas nas estradas brasileiras:
Essa adaptação tática permitia alterar a pressão sem que o soldado precisasse descer do veículo, muitas vezes sob fogo inimigo. Após a guerra, o conceito foi adaptado para o uso civil, focando não na alteração de terreno, mas na manutenção da pressão constante para o transporte de carga.
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Por que não vemos esse sistema na Europa ou nos EUA?
Em países da Europa, as mangueiras externas projetadas para fora da carroceria são proibidas por razões de segurança viária. A legislação entende que esses componentes podem representar riscos para ciclistas e motociclistas em vias urbanas mais estreitas, optando por tecnologias internas.
Lá, a preferência é por sensores TPMS (Tire Pressure Monitoring System), que apenas avisam o motorista sobre a baixa pressão, sem encher o pneu. No Brasil, o setor de transportes, monitorado pelo Ministério dos Transportes, depende da robustez do Rodoar devido às condições das vias.
Comparativo de Tecnologias:
| Característica | Sistema Rodoar (Brasil) | Sistema TPMS (Europa/EUA) |
| Função Principal | Monitora e enche o pneu. | Apenas avisa sobre a pressão. |
| Instalação | Externa (mangueiras visíveis). | Interna (sensores na roda). |
| Foco | Manutenção da viagem (furos). | Monitoramento preventivo. |
O impacto dessa tecnologia na eficiência logística é mensurável, sendo um componente essencial para a frota nacional, conforme indicam dados do setor de serviços do IBGE.