A Vestcasa, varejista de artigos para o lar fundada em 2008 em São Paulo, aposta na expansão por meio de espaços instalados dentro de supermercados para acelerar o crescimento, e espera que esse formato responda por metade de sua receita até 2027. Hoje, as chamadas colabs representam cerca de 20% do faturamento da rede, que mantém um ritmo de abertura de oito novas operações por mês. “Com a colab, a gente consegue capilarizar o negócio numa velocidade grande e com menos investimento”, afirmou o CEO Ahmad Yassin, em entrevista à AGÊNCIA DC NEWS. Hoje a empresa soma 250 lojas próprias, 35 megalojas e 120 colabs em operação.
As últimas inaugurações no formato aconteceram em dezembro em cinco supermercados Coop no ABC e interior paulistas, no Grupo Bahamas em Minas Gerais e no Arco-Mix, do Pernambuco. Também há colabs em redes como o Grupo Extrabom, do Espírito Santo, e o Grupo Pereira, de Santa Catarina. O formato é menor do que as unidades tradicionais. Em média, o espaço dedicado à Vestcasa tem 300 metros quadrados, enquanto as lojas tradicionais da marca variam entre 2 mil e 6 mil metros quadrados. Segundo Yassin o objetivo é que o espaço integre a operação em que está inserida, inclusive com o pagamento no caixa tradicional do supermercado.
Para os varejistas que estão aderindo ao Espaço Vestcasa, disse o executivo, a vantagem é um ganho de até 20% no faturamento, livre de custos. “É como se vendêssemos o produto para eles por um preço, e eles revendem por um preço um pouco maior – tem uma margem combinada.” A estratégia de colab da Vestcasa, que começou em 2023, ganhou tração com o crescente interesse dos supermercadistas, em especial de cidades do interior. De acordo com Yassin o objetivo são duas demandas concomitantes: a necessidade de ganhar novos mercados, e o interesse do supermercadista em oferecer uma gama maior de produtos dentro da operação. “Municípios de 20 mil habitantes, por exemplo, não teriam a capacidade de receber uma loja da Vestcasa”, disse ele. “Mas todo município tem um supermercado.”
O empresário não revela o faturamento do negócio, mas indica que o crescimento anual gira em torno de 30%. A distribuição dos produtos entre as lojas é feita a partir de quatro centros de distribuição, em Santa Catarina e São Paulo. A Vestcasa investiu na expansão dos armazéns este ano, dobrando a área total de 25 mil metros quadrados para 50 mil metros quadrados, e possui frota própria de caminhões. Sendo um clube de compras, com cerca de um milhão de sócios que pagam uma anuidade de R$ 70, a empresa foi inspirada no modelo de negócios da varejista Cotsco, com sede em Washington, no EUA.
Questionado se sua operação também não pode ser comparada ao Sam’s Club, do Grupo Carrefour, Yassin afirma que não: “Na minha opinião, o Sam’s Club vende diferenciação”. Segundo o executivo, o foco da Vestcasa é atender às demandas de consumo das classes A e B, mas também garantir um bom preço para que consumidores das classes C e D façam parte do público. Desde seu nascimento, na Lapa, Zona Oeste de São Paulo, a empresa foi criada com enfoque no público mais popular. “Oferecemos produtos para que a classe A economize e as classes C e D realizem o sonho.”
O varejista dá o exemplo do vinho argentino Rutine: “Custa R$ 200 numa gôndola comum. No Sam’s Club, vai ser R$ 120. O nosso similar é R$ 60”, afirmou. Para chegar nesse valor, afirma o CEO, a estratégia é negociar preço diretamente com fornecedores. “Só compramos direto da fábrica, não compramos de nenhum distribuidor.” A mesma lógica vale para as importações – a Vestcasa é a própria importadora. Vindos de cerca de 20 países, os produtos importados representam 70% do portfólio. O portfólio completo tem 1 mil SKUs. “Tiramos dois a três intermediários do meio do caminho e compramos em grandes volumes.” Outra medida para reduzir custos e manter os preços baixos é eliminar embalagens, utilizando invólucros enxutos e sustentáveis. Isso é possível porque a empresa embala seus produtos, com cerca de 20 marcas próprias, que hoje respondem por 90% do portfólio.
HISTÓRIA – Descendente de libaneses, o empresário administra a Vestcasa ao lado do seu irmão, Mohamad Yassin. Quem deu origem ao negócio familiar foi o avô, muito tempo antes, em 1940, quando o imigrante do Líbano, onde trabalhava como mascate, criou uma indústria têxtil de cama, mesa e banho, a Irmãos Yassin, em Santana, Zona Norte de São Paulo. Durante décadas, a fábrica de tecidos foi responsável por abastecer grandes redes do varejo, como a Pernambucanas e a Riachuelo. Ahmad começou a trabalhar aos 16 anos, reformulou processos, estabeleceu um modelo de gestão e liderou a criação do varejo. Foi em 2008 que a família resolveu entrar para o ramo varejista e competir com a China no mercado doméstico. “Houve aquela crise da bolha imobiliária americana e tivemos que reinventar o negócio, então tomamos essa decisão”, disse ele. A indústria ainda existe, e fornece parte dos produtos segmentados para as próprias lojas da Vestcasa. “É um negócio quase totalmente verticalizado.”

