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Lei do cartão de créditos está valendo em 2026 e afetando brasileiros que estão com o cartão ativo

Paulo Silva Por Paulo Silva
13/01/2026
Em ECONOMIA

A Lei do Desenrola (Lei nº 14.690/23) transformou o mercado de crédito brasileiro ao impor um teto definitivo para os juros do rotativo do cartão. A legislação impede que a dívida se torne impagável, limitando a cobrança de encargos a 100% do valor original do débito contraído pelo cidadão.

Como funciona o limite de juros no cartão?

A regra central da lei estabelece que o total de juros e encargos cobrados não pode exceder o valor do principal da dívida. Isso significa que, se um consumidor deve R$ 1.000 no cartão de crédito, o valor final a ser pago nunca ultrapassará R$ 2.000 (sendo R$ 1.000 da dívida original e R$ 1.000 de juros).

Essa medida, em vigor desde o início de 2024, acabou com a antiga prática onde as taxas de juros ultrapassavam 400% ao ano, criando uma “bola de neve” financeira. O modelo foi inspirado em legislações de sucesso aplicadas em países como o Reino Unido para combater o superendividamento.

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Cartão de crédito – Créditos: depositphotos.com / VitalikRadko

O que foi o Programa Desenrola Brasil?

O programa foi uma iniciativa histórica de renegociação de dívidas criada para limpar o nome de milhões de brasileiros inadimplentes. A medida focou em facilitar o pagamento de débitos com bancos, varejistas e concessionárias de serviços públicos, como água e luz.

A legislação dividiu o público em duas categorias para oferecer condições personalizadas de parcelamento e descontos. O objetivo foi reinserir essas pessoas na economia formal, permitindo que voltassem a ter acesso ao crédito de forma saudável.

Quais eram as regras da Faixa 1?

Essa categoria foi destinada à população de baixa renda, englobando quem recebia até dois salários mínimos ou estava inscrito no CadÚnico. Para esse grupo, o governo ofereceu garantias através de um fundo específico para dívidas de até R$ 5.000.

As condições facilitadas para a Faixa 1 incluíram:

  • Possibilidade de parcelamento da dívida em até 60 meses;

  • Taxa de juros limitada a 1,99% ao mês;

  • Carência de 30 a 59 dias para o pagamento da primeira parcela.

Leia também: Governo aprova nova lei do IPVA que acabou de entrar em vigor em 2026

Qual a diferença entre as faixas de renda?

Enquanto a Faixa 1 teve forte subsídio estatal, a Faixa 2 atendeu pessoas com renda mensal de até R$ 20.000. Nesse segundo caso, a negociação ocorria diretamente com os bancos, que recebiam incentivos fiscais para oferecer descontos atrativos aos clientes.

A tabela abaixo detalha as principais diferenças entre os dois grupos atendidos pela lei:

Critério Faixa 1 Faixa 2
Renda Mensal Até 2 salários mínimos Até R$ 20.000
Garantia Fundo Garantidor (União) Sem garantia da União
Negociação Plataforma Gov.br Direta com o banco

No vídeo a seguir, do canal oficial do Banco Central do Brasil, com mais de 200 mil inscritos, é explicado um pouco mais sobre o assunto:

A lei continua valendo em 2026?

Sim, embora os prazos iniciais de adesão ao programa de renegociação tenham se encerrado, as mudanças estruturais na cobrança de juros são permanentes. O teto de 100% para o rotativo do cartão de crédito continua protegendo o consumidor de cobranças abusivas.

Além disso, a lei consolidou a importância da educação financeira e da responsabilidade na concessão de crédito. Os direitos garantidos pela norma incluem:

  • Proibição de juros abusivos que dobrem o valor da dívida;

  • Possibilidade de portabilidade da dívida do cartão para juros menores;

  • Maior transparência nas faturas sobre o Custo Efetivo Total (CET).

Para consultar o texto integral da legislação, acesse a Lei nº 14.690/2023 no site do Planalto. Informações sobre direitos do consumidor financeiro podem ser verificadas no portal do Banco Central do Brasil.

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