Calisto, uma das principais luas de Júpiter, é frequentemente citada em estudos de astronomia por reunir características de um mundo antigo, congelado e aparentemente estável. Localizada na periferia do sistema joviano, essa lua gelada apresenta uma superfície repleta de crateras e um interior que intriga pesquisadores, especialmente por sinais de um possível oceano subterrâneo.
O que torna Calisto uma lua tão singular?
A lua Calisto orbita Júpiter a cerca de 1,88 milhão de quilômetros, completando uma volta em torno do planeta em aproximadamente 17 dias terrestres, em rotação síncrona. Isso faz com que a mesma face esteja sempre voltada para Júpiter, fenômeno comum em satélites naturais massivos.
Diferentemente de outras luas galileanas, como Io e Europa, Calisto sofre menos influência das forças de maré, o que reduz o aquecimento interno e limita a atividade geológica recente. Sua densidade em torno de 1,83 g/cm³ indica uma mistura de gelo de água e rochas, sugerindo um interior que não se diferenciou totalmente.
Com mais de 8,6 mil visualizações, o canal Atlas Astronômico publicou um vídeo explicando por que Calisto é considerada uma das luas mais antigas e intrigantes do Sistema Solar:
Como é a superfície craterizada de Calisto e a bacia Valhalla?
Na superfície de Calisto, o aspecto mais marcante é a enorme quantidade de crateras sobrepostas, formando um mosaico de estruturas circulares de diferentes tamanhos. Entre elas destaca-se Valhalla, uma das maiores bacias de impacto conhecidas em satélites do Sistema Solar, com anéis que se estendem por milhares de quilômetros.
As missões Voyager 1 e 2, no fim da década de 1970, produziram os primeiros mapas detalhados da lua, revelando regiões claras e escuras e cadeias de crateras. Nos anos 1990, a sonda Galileo refinou essas observações, identificando vales profundos e variações de brilho que reforçam a ideia de uma superfície extremamente antiga, quase sem sinais de vulcanismo ou tectonismo recente.
Abaixo estão três fatores essenciais para entender como Calisto pode abrigar uma camada de água líquida em seu interior e como isso se relaciona com a detecção de um campo magnético na lua:
- Superfície muito antiga: preserva impactos com idade próxima a 4 bilhões de anos.
- Pouca ou nenhuma atividade interna recente: ausência de vulcões e placas tectônicas ativas.
- Contraste de regiões claras e escuras: possivelmente ligado à composição e à idade do material exposto.
Calisto pode abrigar um oceano subterrâneo habitável?
Apesar da aparência estática, estudos sugerem que Calisto pode esconder um oceano salino subterrâneo sob uma crosta de gelo com 100 a 250 quilômetros de espessura. Esse oceano seria mantido líquido por calor interno do decaimento radioativo e pela interação com o campo magnético de Júpiter.
Observações da sonda Galileo indicaram um campo magnético induzido em Calisto, típico de camadas líquidas condutoras no interior. Se confirmado, esse oceano seria um ambiente protegido da intensa radiação espacial, entrando nas discussões sobre habitabilidade em mundos gelados do sistema joviano. Confira abaixo alguns elementos que tornam essa possibilidade:
- Calor interno ajuda a manter parte do gelo derretido.
- Sais dissolvidos aumentam a condutividade elétrica da água.
- A magnetosfera de Júpiter induz um campo detectável na lua.
Calisto, uma das luas de Júpiter, pode abrigar um oceano salino sob sua crosta gelada
Qual é a atmosfera de Calisto e como ela interage com Júpiter?
Calisto possui uma atmosfera extremamente rarefeita, composta principalmente por dióxido de carbono e pequenas quantidades de oxigênio molecular. A pressão é muito baixa, incapaz de sustentar processos atmosféricos complexos, mas útil para estudar o escape de gases e a interação com o plasma de Júpiter.
Essa tênue camada gasosa foi identificada pela sonda Galileo entre 1997 e 1999. A combinação de partículas carregadas, radiação e gases exosféricos torna Calisto um alvo importante para entender como luas geladas perdem material para o espaço ao longo do tempo.
Como missões futuras vão estudar Calisto até 2035?
Uma das principais fontes de novos dados sobre Calisto será a missão JUICE (Jupiter Icy Moons Explorer), da Agência Espacial Europeia, lançada em 2023. A partir de 2031, a sonda deverá realizar sobrevoos próximos, investigando a crosta, o possível oceano interno e comparando Calisto com Europa e Ganimedes.
Combinando registros históricos desde Galileu Galilei até as sondas Voyager, Galileo e JUICE, Calisto permanece central para entender a história primitiva do Sistema Solar. Seus ambientes frios e distantes podem guardar camadas de complexidade ocultas sob uma superfície aparentemente silenciosa.

