A moeda brasileira apresentou forte volatilidade em dezembro e encerrou o mês como a segunda moeda mais desvalorizada do mundo, segundo levantamento da Austin Rating. No período, o real recuou 3,1%, desempenho inferior apenas ao do bolívar soberano da Venezuela, que perdeu 17,6% de seu valor.
O movimento negativo foi influenciado por uma combinação de fatores conjunturais. Entre eles, destacam-se turbulências domésticas envolvendo um importante player do sistema bancário e o Judiciário, além da sazonalidade típica de dezembro, marcada por maior envio de remessas e dividendos ao exterior, o que aumenta a demanda por dólares.
Também pesaram sobre o câmbio as expectativas em torno dos próximos ajustes de política monetária nas economias centrais, especialmente nos Estados Unidos. A incerteza quanto ao ritmo de cortes de juros elevou a aversão ao risco no mercado internacional, pressionando moedas de países emergentes ao longo do mês.
Apesar do desempenho negativo em dezembro, o balanço de 2025 segue positivo para o real. No acumulado do ano, a moeda brasileira registrou valorização de 12,5%, ocupando a 26ª posição entre as moedas com melhor desempenho global, de acordo com o ranking anual elaborado pela Austin Rating com base nas cotações da Ptax do Banco Central.
O avanço ao longo do ano foi sustentado, em grande parte, pelo elevado carry trade, estratégia que explora o diferencial entre a taxa de juros brasileira e a norte-americana. Com a Selic mantida em patamar elevado durante 2025, o real permaneceu atrativo para investidores internacionais, favorecendo a entrada de capital financeiro.
A leitura do ranking reforça que a desvalorização registrada em dezembro tem caráter pontual, ligada a fatores específicos de curto prazo, enquanto o desempenho anual reflete condições financeiras ainda favoráveis. Ainda assim, o comportamento do câmbio segue sensível ao cenário fiscal doméstico e à evolução da política monetária global.













