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“Quem endereçar o fiscal vence a eleição de 2026”, diz CEO da AZ Quest

Gestor avalia que a eleição de 2026 será decidida pela capacidade de enfrentar o ajuste fiscal

Paula MoraesPor Paula Moraes
02/03/2026

A eleição presidencial de 2026 tende a ser determinante para o rumo econômico do Brasil nos próximos anos. Em um ambiente de desaceleração da atividade, juros elevados e deterioração das contas públicas, a avaliação entre gestores é que a disputa eleitoral será definida pela capacidade de os candidatos apresentarem uma solução crível para o problema fiscal.

Para Walter Maciel, CEO da AZ Quest, quem conseguir endereçar essa pauta de forma consistente terá vantagem decisiva no processo eleitoral. Na avaliação do gestor, o país entra em 2026 com um quadro fiscal já contratado, que limita crescimento, pressiona juros e condiciona a precificação dos ativos.

“O debate eleitoral vai girar em torno de quem consegue resolver o fiscal. Não é uma questão ideológica, é matemática”, afirmou.

Segundo Maciel, o mercado ainda se antecipa pouco ao cenário eleitoral porque o nível elevado dos juros funciona como um amortecedor temporário de risco. Com a Selic próxima de 15%, o retorno oferecido pelos ativos defensivos reduz o incentivo a movimentos mais agressivos antes de sinais políticos claros.

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Mercado reage à probabilidade de ajuste fiscal

Para o CEO da AZ Quest, movimentos recentes dos mercados financeiros não devem ser interpretados como julgamentos pessoais sobre candidatos, mas como ajustes de probabilidade em relação à condução da política fiscal a partir de 2027.

“O mercado não precifica discurso nem promessa. Precifica a chance real de o fiscal ser endereçado”, disse.

Na leitura do gestor, a deterioração das contas públicas elevou estruturalmente o prêmio exigido para financiar a dívida brasileira, pressionando juros, crédito e atividade econômica. Sem correção, o país se aproxima de um cenário em que despesas obrigatórias passam a superar receitas, aumentando o risco de desequilíbrio permanente.

Custo do juro e risco de dominância fiscal

Maciel destaca que o Brasil opera hoje muito acima do juro neutro estimado pelo próprio Banco Central, em torno de 4,5%. A diferença entre esse patamar e a taxa efetiva atual gera um custo fiscal anual próximo de R$ 600 bilhões.

“Esse valor é maior do que os orçamentos somados de Bolsa Família, saúde e educação. Não é uma distorção criada pelo mercado, é consequência direta do descontrole fiscal”, afirmou.

Caso esse quadro não seja revertido, o CEO da AZ Quest avalia que o país pode entrar em um regime de dominância fiscal, no qual nem juros mais elevados seriam suficientes para estabilizar expectativas, levando a taxas exigidas para financiar o governo semelhantes às observadas em períodos de forte instabilidade econômica.

Bolsa reage ao cenário externo

Apesar da valorização registrada pela bolsa ao longo de 2025, Maciel avalia que o movimento foi sustentado principalmente por fatores externos e concentrado em grandes empresas, mais líquidas e acessíveis ao capital estrangeiro. As companhias de menor capitalização seguem negociadas a múltiplos historicamente deprimidos.

“A bolsa brasileira está barata em termos reais, mas segue travada pelo fiscal”, disse.

Segundo ele, a manutenção do atual quadro tende a produzir um ambiente de “ilhas de prosperidade”, em que grandes empresas preservam resultados enquanto médias, pequenas e famílias enfrentam crédito caro e crescimento limitado.

Haddad perde poder de ancoragem fiscal

A avaliação de Maciel é que a percepção do mercado em relação à política fiscal também foi influenciada pela trajetória do Ministério da Fazenda ao longo do atual governo. Fernando Haddad chegou ao cargo com o benefício da dúvida e um discurso alinhado à responsabilidade fiscal, mas perdeu credibilidade após a não entrega das metas e a adoção de uma retórica que, segundo gestores, relativizou o descumprimento dos objetivos fiscais.

A possível saída de Haddad do Ministério da Fazenda, não altera o quadro se não houver respaldo político para fazer o ajuste.

“O problema não é o ministro, é a falta de decisão”, afirmou.

Sinal político como gatilho de preços

Para o CEO da AZ Quest, o primeiro sinal relevante para uma mudança mais consistente na precificação dos ativos não será a apresentação de planos econômicos detalhados, mas o avanço, nas pesquisas eleitorais, de um candidato comprometido com o ajuste fiscal.

“Quando o mercado perceber que alguém tem condições reais de enfrentar o fiscal, os preços vão reagir rapidamente. Quem esperar confirmação completa pode perder o movimento”, destacou.

Segundo Maciel, o diagnóstico do ajuste é amplamente conhecido. O desafio está menos na técnica econômica e mais na coordenação política.

“O ajuste é possível. O que falta é liderança, coragem e articulação. A eleição de 2026 vai mostrar se o Brasil está disposto a enfrentar esse problema ou a empurrar a conta mais uma vez.”, concluiu.

FISCAL SERÁ PROTAGOSNITA NAS ELEIÇÕES DE 2026

"Quem endereçar o fiscal vence a eleição de 2026 no Brasil", diz CEO da AZ Quest. Créditos: depositphotos.com / [email protected]

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