Considerado a cor mais cara do mundo, o azul ultramarino natural é um pigmento raro extraído da rocha semipreciosa lápis-lazúli. Seu processo de produção artesanal, que remonta à Renascença, justifica seu valor exorbitante e sua aura de exclusividade.
Como o azul ultramarino natural é extraído de uma rocha?
O processo é uma alquimia que transforma pedra em cor pura. O método mais tradicional, conhecido como método Cennini, começa com a moagem do lápis-lazúli até virar um pó fino. Esse pó é então misturado com cera de abelha, resina de pinheiro e óleo de linhaça, formando uma massa densa.

A mágica acontece na etapa de lavagem. A massa é mergulhada repetidamente em água quente, um processo que libera lentamente as partículas de lazurita (o pigmento azul puro), enquanto as impurezas, como a pirita, permanecem presas na cera. É um trabalho de paciência que exige dias para ser concluído.
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Por que o rendimento é tão baixo e o processo tão complexo?
O valor do azul ultramarino natural está em sua extrema raridade e no trabalho manual intensivo. De 400 gramas de lápis-lazúli bruto, os artesãos conseguem extrair apenas de 20 a 30 gramas do pigmento mais puro, uma fração minúscula que explica por que a cor era historicamente mais valiosa que o ouro.
Esse método ancestral, que leva dias para produzir um quilo de pigmento, contrasta com a produção industrial moderna. A complexidade e o baixo rendimento são o que garantem seu status de luxo, um conceito de valor agregado que no Brasil é protegido por selos de autenticidade, como as Indicações Geográficas (IG), registradas pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).
Etapas do Método Cennini:
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Moagem cuidadosa do lápis-lazúli.
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Formação da massa com cera, resina e óleo.
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Lavagens sucessivas em água quente para purificação.
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Desidratação do pigmento extraído.
Artistas ainda usam essa cor com uma alternativa sintética tão barata?
Sim, e a razão está na luz. O azul ultramarino natural possui uma estrutura cristalina que reflete a luz de uma maneira única, conferindo-lhe um brilho e uma vivacidade que a versão sintética, que tende a absorver mais luz, não consegue replicar.
No vídeo a seguir, que já conta com mais de 659 mil visualizações, você descobrirá como é feita a cor mais cara do mundo: o azul ultramarino natural:
Além da qualidade visual, usar o pigmento original agrega um imenso valor histórico e financeiro à obra de arte. Uma pintura feita com o pigmento autêntico pode ter seu valor de mercado multiplicado, pois carrega consigo uma tradição que remonta a mestres como Vermeer.
Qual a origem da matéria-prima e o futuro dessa cor?
A principal fonte do lápis-lazúli de alta qualidade é a mina de Sar-i Sang, no Afeganistão, uma região de instabilidade geopolítica que torna a cadeia de suprimentos ainda mais complexa e arriscada. O controle das minas e a dificuldade de acesso contribuem para a escassez do material.
A preservação de técnicas artesanais como esta é um desafio global. No Brasil, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) trabalha para salvaguardar saberes e ofícios tradicionais que, assim como a produção do azul ultramarino natural, representam um patrimônio cultural imaterial que precisa ser protegido.
| Característica | Azul Ultramarino Natural | Azul Ultramarino Sintético |
| Origem | Lápis-lazúli (mineral). | Processo químico em laboratório. |
| Estrutura | Cristalina, reflete a luz. | Uniforme, absorve a luz. |
| Brilho | Vibrante e luminoso. | Opaco e menos profundo. |
| Preço | Extremamente alto (até US$ 460). | Muito baixo (cerca de US$ 19). |

