O Banco Central do Brasil decretou, nesta terça-feira (18), a liquidação extrajudicial do Banco Master S.A., encerrando de imediato qualquer possibilidade de avanço no acordo de compra que havia sido sinalizado pelo Grupo Fictor. A decisão foi formalizada no Ato nº 1.369, assinado por Gabriel Galípolo, presidente do BC.
Segundo o documento oficial, a liquidação foi determinada “em razão do comprometimento da situação econômico-financeira da instituição, com deterioração da liquidez, infringência às normas que disciplinam a atividade bancária e inobservância de determinações do Banco Central”.
O que determina o ato do Banco Central
A medida estabelece:
- O encerramento das operações do Banco Master;
- A nomeação da empresa EFB Regimes Especiais de Empresas Ltda. como liquidante;
- O responsável técnico Eduardo Felix Bianchini como administrador da liquidação;
- A definição do termo legal da liquidação em 19 de setembro de 2025.
Com a decretação, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) é acionado para assegurar depósitos e aplicações cobertas, dentro dos limites previstos pela regulação.
Situação financeira já preocupava o regulador
O Banco Central já vinha monitorando o Master ao longo dos últimos meses. O modelo de negócios do banco, baseado em captação com juros acima do mercado e na aquisição de ativos de baixa liquidez, havia acendido alertas no regulador e dificultado o avanço de negociações para reforço de capital.
Em setembro, o BC rejeitou a proposta do Banco de Brasília (BRB) para comprar uma fatia do Master. Desde então, a instituição enfrentava dificuldades para honrar depósitos e vinha negociando apoio financeiro com o FGC havia cerca de 45 dias.

Liquidação interrompe proposta de compra feita pela Fictor
A liquidação extrajudicial encerra também a operação anunciada na segunda-feira (17) pela Fictor Holding Financeira, que enviou ao Banco Central uma proposta de compra do Banco Master.
Segundo informações divulgadas pela própria Fictor e confirmadas pelo Estadão, o plano incluía:
- Aporte imediato de R$ 3 bilhões para reforçar a estrutura de capital do Master;
- Participação de um consórcio de investidores dos Emirados Árabes Unidos, que afirmam gerir mais de US$ 100 bilhões;
- Substituição da gestão atual e reorganização interna;
- Avaliação de risco e continuidade operacional condicionada à aprovação do BC e do Cade.
Com o avanço da crise de liquidez e a decisão regulatória desta terça-feira, a negociação é automaticamente encerrada.
Contexto: deterioração acelerada e pressão por liquidez
Ainda segundo executivos consultados pelo setor, o Banco Master vinha enfrentando pressão crescente para honrar compromissos, especialmente após episódios de atraso em pagamentos e dificuldades relatadas por clientes. Fontes do mercado indicam que a instituição já negociava condições com o FGC há semanas e que a liquidação era vista como uma possibilidade concreta caso não houvesse solução rápida de capitalização, o que acabou se confirmando.
A BM&C News entrou em contato com a assessoria de imprensa do Banco Master, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem.

