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Petistas e bolsonaristas: os dois lados da mesma moeda

Aluizio Falcão Filho Por Aluizio Falcão Filho
20/10/2025
Em OPINIÃO, POLÍTICA

Uma pesquisa realizada pelo ConnectLab, um centro de estudos da Fundação Getúlio Vargas, em parceria com o Instituto Quaest, mostrou que petistas e bolsonaristas confiam em seus grupos de WhatsApp tanto quanto em suas próprias famílias.

A credibilidade que estes indivíduos depositam em seus irmãos de armas é enorme. O estudo mostra que, numa escala de 0 a 10, bolsonaristas registram, em média, 8,3 pontos de confiança nas próprias famílias. Os petistas, por sua vez, ficam em 7,5. Quando o foco muda para os respectivos grupos políticos, os números caem um pouco: 7,8 entre bolsonaristas e 7,3 entre petistas. Em resumo: o radicalismo, em tese, aumenta a confiança naqueles que pensam de forma igual.

A confiança cega que é depositada nos colegas de ideologia é um dos grandes motores para que fake news se espalhem. Ao receber uma mensagem que ataca os adversários, a maioria dos petistas e bolsonaristas (com as exceções de praxe) passa para a frente a tal postagem – simplesmente porque querem acreditar naquilo.

Esse fenômeno não é exatamente novo. Estudos sobre o comportamento de grupos políticos nas redes sociais já mostraram que a polarização cria bolhas resistentesà opinião contrária. Mas quando alguém compartilha algo que confirma o viés do grupo, quase nunca há questionamento. O que importa não é se a informação é verdadeira, mas se ela reforça a narrativa que une os integrantes daquele espaço virtual.

A lógica é simples. Dentro de uma bolha ideológica, onde todos compartilham as mesmas certezas e os mesmos inimigos. Neste processo, checar os fatos vira detalhe insignificante. O que vale é a narrativa que alimenta o senso de pertencimento e fortalece a identidade coletiva. É por isso que fake news prosperam: elas dizem exatamente o que o grupo quer ouvir sobre seus adversários, confirmam preconceitos e alimentam o ódio.

A militância digital também tem papel central nesse cenário. Nas eleições de 2018, foi possível ver que um pequeno número de superparticipantes — contratados ou voluntários — concentrava a maior parte das postagens políticas nas redes de mensagens. Eles atuavam de forma coordenada, espalhando conteúdos entre diversos grupos. Eram catalisadores da desinformação, acelerando a circulação de mensagens fabricadas ou manipuladas.

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O problema é que vivemos uma crise de confiança institucional. Uma pesquisa da Quaest de setembro indica que 63% dos brasileiros não confiam em partidos políticos. Eles ocupam o último lugar no ranking de credibilidade entre 13 instituições avaliadas. Portanto, quando essa confiança se rompe, as pessoas buscam refúgio em suas tribos ideológicas. Ali encontram acolhimento, identidade e explicações simples para um mundo cada vez mais complexo.

Nesse ambiente, os radicais de esquerda e de direita acabam sendo duas faces da mesma moeda: são grupos que trocaram o pensamento crítico pela lealdade ao coletivo. Ambos acreditam que o pertencimento vale mais que os fatos. Qualquer informação que ataque o adversário é bem-vinda, mesmo que seja falsa. Essa é a essência da polarização atual. Não se trata mais de discutir ideias, mas de vencer uma guerra de narrativas — custe o que custar.

Até quando viveremos em um mundo no qual as minorias vão ditar o debate que decidirá a vida de todos?

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