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Bolsonaro, STF e anistia: especialista analisa decisão histórica no BM&C Strike

Redação BM&C News Por Redação BM&C News
15/09/2025
Em BM&C STRIKE, Entrevista, Exclusivas, Exclusivo, NACIONAL, polêmica, POLÍTICA

O programa BM&C Strike recebeu o advogado e comentarista jurídico e político, Frederico Junkert, para destrinchar os desdobramentos da condenação de Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de prisão. Em conversa com a apresentadora Paula Moraes, o convidado apontou que o julgamento ganha contornos políticos e processuais relevantes, sobretudo após o voto divergente do ministro Luiz Fux, que, segundo ele, reforça questionamentos sobre competência, imparcialidade e garantias constitucionais.

Nesse sentido, a análise percorreu desde a origem do caso, que envolve atos entre 2021 e 8 de janeiro de 2023, até os caminhos recursais possíveis. Além disso, Junkert destacou impactos institucionais e econômicos: tensão entre Poderes, insegurança jurídica para agentes econômicos e reflexos internacionais, em especial a relação com os Estados Unidos sob a tensão do tarifaço e da Seção 301.

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O voto de Fux a favor de Bolsonaro e a controvérsia sobre competência

Para o advogado, o voto de Luiz Fux se diferencia por adotar uma linha técnico-processual clássica, comum em sentenças e acórdãos de instâncias ordinárias. Por outro lado, a maioria dos ministros teria firmado uma posição mais política, consolidando a competência do Supremo Tribunal Federal mesmo após o fim do mandato, mudança de entendimento posterior aos fatos narrados.

“A alteração de competência após os eventos viola o princípio do juiz natural, convertendo o STF em “tribunal de exceção” nesse caso” avalia. Enquanto isso, ele também aponta suposta irregularidade interna, já que presidentes da República devem ser julgados pelo plenário, e não por turma, como foi a condenação do ex-presidente Bolsonaro.

Quais crimes sustentaram a acusação?

De acordo com a peça acusatória, o Ministério Público atribuiu cinco crimes a Bolsonaro e a outros réus:

  • Organização criminosa armada;
  • Deterioração de patrimônio público;
  • Dano a patrimônio tombado;
  • Tentativa de golpe de Estado;
  • Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

Além disso, o convidado relembrou que a antiga Lei de Segurança Nacional foi revogada e substituída por tipos penais do Código Penal atual, base de parte da denúncia. Por outro lado, ele criticou o volume e o timing do acesso às provas (cerca de 70 TB de dados), alegando cerceamento de defesa.

Há espaço para anistia no Congresso?

Junkert sustenta que a anistia é prerrogativa do Parlamento e citou o precedente da ADPF 153, no qual o STF teria reconhecido o caráter soberano do Legislativo em 2010. Nesse sentido, ele afirma que, caso a urgência seja aprovada e o tema vá a plenário, uma anistia aprovada não deveria ter seu mérito reavaliado pelo Judiciário. Por outro lado, admite que, na prática recente, o Supremo tem revisitado entendimentos à luz de circunstâncias políticas, o que aumenta a incerteza sobre o desfecho.

Segundo o entrevistado, o acirramento entre STF, Executivo e Legislativo extrapola o caso específico de Bolsonaro e afeta o ambiente de negócios. Enquanto isso, episódios como idas e vindas em políticas tributárias, relembrou, citando o IOF, reforçam a sensação de imprevisibilidade, algo caro a investidores estrangeiros e empresas com planejamento de longo prazo. Nesse sentido, ele defende atuação mais incisiva do Senado em seu papel de freios e contrapesos, inclusive avaliando pedidos de impeachment de ministros, para restabelecer equilíbrio institucional.

Repercussão internacional: tarifaço e Seção 301

O convidado relacionou a condenação de Bolsonaro ao crescente interesse de Washington pelo cenário brasileiro. Ele lembrou que o governo Trump aplicou tarifas de 50% a produtos nacionais por razões que mesclam comércio e política. Além disso, explicou a Seção 301, instrumento da Lei de Comércio dos EUA de 1974 usado para investigar práticas “injustas” de países parceiros, abrangendo temas como:

  • Regulação de redes sociais e responsabilidade de plataformas;
  • Combate à corrupção e cumprimento de multas em leniências;
  • Propriedade intelectual (pirataria, “gatonet”);
  • Barreiras ao etanol e questões ambientais no agro;
  • Sistema de pagamentos e competição (debate indireto envolvendo o Pix e players privados).

Nesse sentido, ele avalia que o Brasil, isolado no G20 nesse diálogo, arrisca sofrer novas medidas comerciais caso não avance em canais de negociação.

Os próximos passos jurídicos da condenação de Bolsonaro

Do ponto de vista processual, Junkert lembra que ainda cabem embargos de declaração e embargos infringentes. Enquanto isso, recursos internacionais, como a Corte Interamericana de Direitos Humanos, só são possíveis após o trânsito em julgado, ou seja, depois de esgotadas as instâncias domésticas. Por outro lado, uma vez encerrada a fase recursal, inicia-se o cumprimento definitivo da pena, com discussão sobre regime e condições específicas (como eventual manutenção de prisão domiciliar por saúde).

Um caso jurídico com efeitos políticos e econômicos

Segundo a análise do especialista, caso de Bolsonaro transcende o contencioso penal e alcança questões estruturais: limites da jurisdição do STF, separação de Poderes, previsibilidade regulatória e impactos sobre comércio exterior. Além disso, a combinação de julgamento em alta temperatura política e pressões externas, tarifas e investigações comerciais, compõe um quadro em que decisões jurídicas e negociações diplomáticas se retroalimentam. Por ora, o calendário recursal e a articulação no Congresso, em torno de eventual anistia, serão os vetores que ditarão a próxima fase dessa disputa institucional.

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