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O que o caso Banco Master revela sobre o risco de crédito que muitos ignoram

Opinião Por Opinião
08/09/2025
Em OPINIÃO

Por Carlos Castro*

O caso do Banco Master serve como um aprendizado sobre risco de crédito. Quando uma instituição enfrenta problemas, o investidor tende a buscar refúgio na proteção do FGC – Fundo Garantidor de Crédito – como se fosse um escudo absoluto. A verdade é que o risco de crédito precisa ser entendido antes da tomada de decisão ao investir.

Um banco pode cumprir as regras, ter cobertura do FGC, e ainda assim operar com fragilidade. O episódio recente do Banco Master deixou isso claro. O investidor deve olhar para a taxa de um CDB, por exemplo, e entender que taxas muito altas geralmente indicam necessidade urgente de captação por parte do emissor — o que sinaliza risco. Em muitos casos, trocamos qualquer análise de risco de crédito pela simples confiança na proteção do FGC. Ignoramos o risco, atraídos pela taxa.

Avaliar risco de crédito não é trivial, especialmente para o investidor pessoa física. O FGC é mais direto: a cobertura é de até R$ 250 mil por CPF por instituição, limitada a cinco instituições. Já o risco de crédito exige um olhar mais técnico.

Uma das formas mais acessíveis de iniciar essa avaliação é por meio do índice de Basileia. Esse índice expressa a relação entre o capital próprio do banco e os riscos que ele assume. Em termos práticos, ele mostra se o banco está assumindo riscos com o próprio capital — ou apenas alavancando recursos de terceiros. Quanto maior o índice, mais folga o banco tem para suportar perdas. Quanto menor, maior a vulnerabilidade.

O índice nasceu do Acordo de Basileia, firmado em 1988 na Suíça, como resposta a crises bancárias globais. Ao longo do tempo, o acordo evoluiu — Basileia II, Basileia III — incorporando diretrizes mais rígidas sobre capital, liquidez e gestão de riscos. O Brasil adotou essas diretrizes por meio do Banco Central, que hoje exige um índice mínimo de Basileia de 11% para que instituições financeiras possam operar regularmente.

Nem todos os bancos operam com folga confortável acima desse limite. E é por isso que o investidor precisa consultar esse dado. O índice de Basileia está disponível gratuitamente no site oficial do Banco Central, por meio do sistema IF.Data https://www3.bcb.gov.br/ifdata.

Basta digitar o nome da instituição e consultar o índice de Basileia atualizado, trimestre a trimestre. Apesar da existência de sites secundários como o Bancodata — que podem ser úteis visualmente — o IF.Data é a fonte oficial, primária e confiável.

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De forma geral, grandes bancos no Brasil operam com índices bem superiores ao mínimo regulatório, muitas vezes superiores a 12%, o que mostra uma margem de segurança maior. Já instituições menores ou menos consolidadas podem estar mais próximas do mínimo, o que exige maior atenção.

Voltando ao caso Banco Master, o que o investidor pode aprender?

  • Primeira lição: taxas muito altas são sinal de risco. Se um CDB está pagando 130% ou 140% do CDI, é porque o emissor precisa captar com urgência. E se precisa, é porque o risco está mais elevado — seja por liquidez, alavancagem ou estrutura de capital.
  • Segunda lição: o FGC é um fundo de proteção, mas não é critério de análise. Ele serve para mitigar o dano — não para orientar a decisão. O ideal é nunca precisar acioná-lo. E isso só acontece se a análise de risco vier antes da aplicação.
  • Terceira lição: o índice de Basileia é uma ferramenta objetiva, acessível e gratuita — e está disponível para qualquer pessoa. Saber se um banco opera com 16% de Basileia ou apenas com 11,1% muda completamente a percepção de risco. Essa informação pode — e deve — entrar no processo de decisão.

Por fim, é essencial entender que risco de crédito está nos dados da instituição — no balanço, na alavancagem, na composição do capital. E ele pode ser medido. Há outras formas mais técnicas de avaliação como ratings, análise de carteira de crédito, exposição por setor, mas o índice de Basileia é um primeiro filtro eficaz. Não resolve tudo, mas já separa o ruído daquilo que merece atenção.

Assim, antes de aplicar em um CDB de 140% do CDI, pergunte: qual é o risco de crédito por trás dessa taxa? E o que o índice de Basileia desse banco está me dizendo? A resposta pode evitar um problema — ou pelo menos garantir que sua decisão esteja amparada por mais do que apenas rentabilidade e FGC.

*Coluna escrita por Carlos Castro, planejador financeiro pessoal, CEO e sócio fundador da plataforma de saúde financeira SuperRico

As opiniões transmitidas pelo colunista são de responsabilidade do autor e não refletem, necessariamente, a opinião da BM&C News. Leia mais colunas de opinião aqui.

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