A balança comercial brasileira apresentou um saldo positivo de US$ 6,133 bilhões em agosto, segundo dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Esse desempenho representa um crescimento de 35,8% em relação ao mesmo mês do ano passado, quando o superávit havia sido de US$ 4,5 bilhões, consolidando um dos melhores resultados do ano.
O movimento foi impulsionado pelo aumento das exportações e pela leve retração nas importações, o que reforça o peso dos produtos agropecuários e da indústria extrativa no comércio exterior brasileiro. Além disso, o resultado de agosto traz um alívio diante das pressões internacionais, sobretudo nas relações comerciais com os Estados Unidos após a aplicação de tarifas adicionais.
Exportações crescem, importações caem: o que dizem os números?
No mês, as exportações somaram US$ 29,861 bilhões, o que representa um aumento de 3,9% em relação a agosto de 2024. Já as importações totalizaram US$ 23,728 bilhões, marcando uma queda de 2,0% no mesmo comparativo. Enquanto isso, a corrente de comércio — que soma exportações e importações — alcançou US$ 53,589 bilhões, com leve avanço de 1,2%.
Entre os setores de destaque, a agropecuária cresceu 8,3%, atingindo US$ 6,66 bilhões, enquanto a indústria extrativa avançou 11,3%, chegando a US$ 7,26 bilhões. Por outro lado, a indústria de transformação apresentou queda de 0,9%, exportando US$ 15,77 bilhões.
Quais foram os produtos que mais se destacaram?
Os produtos que impulsionaram os embarques em agosto foram:
- Petróleo bruto: crescimento de 18%
- Milho: avanço de 17,9%
- Soja: aumento de 11%
- Carne bovina: salto de 56%
- Ouro não monetário: alta de 55,9%
Além disso, esses itens ajudaram a compensar perdas em alguns segmentos industriais, especialmente os que sofreram restrições nos mercados externos.
Como o tarifaço dos EUA afetou o comércio?
O impacto mais imediato do cenário internacional veio do chamado “tarifaço” dos Estados Unidos. As exportações brasileiras para o país caíram 18,5% em agosto, totalizando apenas US$ 2,76 bilhões. Entre os itens mais afetados estiveram aeronaves, máquinas não elétricas, carne bovina e minério de ferro, cujas vendas chegaram a ser zeradas para os norte-americanos.
Segundo o MDIC, parte da queda também está ligada à antecipação de embarques em julho, quando houve alta de 7% nas exportações para os EUA. Nesse sentido, a estratégia dos exportadores buscou minimizar os impactos da cobrança de 50% de tarifa sobre diversos produtos brasileiros.
Quem foram os principais parceiros comerciais do Brasil?
Os números de agosto revelam diferenças importantes no desempenho por parceiro comercial:
- Argentina: superávit de US$ 0,61 bilhão, com exportações em alta de 40,4%
- China, Hong Kong e Macau: superávit de US$ 4,06 bilhões, exportações crescendo 29,9%
- Estados Unidos: déficit de US$ 1,23 bilhão
- União Europeia: déficit de US$ 0,25 bilhão
Enquanto isso, a China se consolidou ainda mais como o principal destino das exportações brasileiras, absorvendo boa parte da demanda por commodities agrícolas e minerais.
O que mostram os dados acumulados de 2025?
No acumulado de janeiro a agosto de 2025, a balança comercial registra um saldo positivo de US$ 42,812 bilhões. Porém, esse resultado é 20,2% menor do que o observado no mesmo período de 2024, revelando os desafios enfrentados ao longo do ano.
No total, as exportações somaram US$ 227,583 bilhões (+0,5%), enquanto as importações chegaram a US$ 184,771 bilhões (+6,9%). Por outro lado, a corrente de comércio cresceu 3,2%, alcançando US$ 412,354 bilhões.
Quais os desafios para os próximos meses?
O superávit de agosto reforça a capacidade do Brasil de sustentar resultados positivos mesmo em meio a incertezas externas. No entanto, a redução do saldo acumulado no ano sinaliza que há riscos importantes, principalmente diante das tensões comerciais com os Estados Unidos.
Nesse sentido, a diversificação de mercados e o fortalecimento das exportações de commodities seguem como pontos centrais da estratégia brasileira. Ao mesmo tempo, será essencial apoiar a indústria de transformação para que o país não dependa excessivamente de setores primários.

