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Crime organizado deve ser combatido e mercado financeiro não pode pagar a conta

Renata Nunes Por Renata Nunes
04/09/2025
Em Especial, Exclusivas, MERCADOS

A recente operação contra o crime organizado trouxe à tona falhas de supervisão em fintechs e fundos de investimento, utilizados por criminosos para movimentar recursos. O episódio reacendeu um debate relevante sobre, até que ponto o sistema financeiro formal pode ser responsabilizado pelo uso indevido de suas estruturas? Especialistas e parlamentares defendem que o mercado não deve ser tratado como cúmplice de atividades criminosas.

Para além da dimensão policial, o caso gerou repercussão política. Em busca de protagonismo político, autoridades do governo sugeriram a associação entre o mercado e as atividades ilícitas do grupo criminoso, criando um ambiente de desconfiança. Contudo, analistas e parlamentares alertam que criminalizar investidores, gestores e empresas sérias seria um equívoco capaz de prejudicar o funcionamento da economia e o ambiente de negócios no país.

  • A Polícia Federal identificou uso de fintechs e fundos por integrantes do PCC.
  • Brechas de supervisão permitiram movimentação de recursos ilícitos.
  • O caso gerou repercussão política com tentativas de associar o mercado financeiro à crise.
  • Especialistas defendem que não há envolvimento direto do sistema financeiro formal.

Crime organizado no radar da PF: segurança como base da liberdade econômica

A deputada federal Carol De Toni (PL-SC), presidente da Frente Parlamentar pelo Livre Mercado, destacou que a questão da segurança pública está diretamente ligada à atividade empresarial, e ressaltou sobre como a concorrência ilegal ameaça empresas sérias. “Não existe liberdade econômica sem segurança pública. Empreendedores e consumidores precisam de garantias mínimas para exercer suas atividades, circular mercadorias e prestar serviços”, afirmou.

Segundo ela, o avanço do crime organizado distorce a concorrência e impõe barreiras artificiais aos empreendedores que atuam dentro da lei. “Essas operações mostram de forma prática como o crime organizado contamina a economia, distorce a concorrência e ameaça empresas sérias. Quando o Estado age, ele não apenas protege vidas, mas também protege a livre iniciativa”, completou. Para a parlamentar, segurança e liberdade econômica caminham juntas, sendo parte essencial de uma agenda de prosperidade.

Mercado não pode ser bode expiatório do crime organizado

Sérgio Machado, gestor da Mag Investimentos, avalia que o caso do PCC deve ser visto em perspectiva. Para ele, a utilização de algumas instituições por organizações criminosas não significa cumplicidade do mercado como um todo. “Se olhar o número de instituições envolvidas, se vê que é muito pequeno, a maior parte delas é desconhecida. Qualquer tentativa de criminalizar o mercado é de uma estupidez ou de uma má fé gigantesca”, criticou.

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O gestor reforçou que falhas de acompanhamento ocorrem em diferentes jurisdições e que usar o episódio para atacar o mercado financeiro pode gerar efeitos adversos. “Se você tentar transformar o mercado financeiro de bode expiatório, pode criar um problema brutal. O sistema financeiro é o catalisador da economia. Sem ele, não existe”, destacou.

O debate evidencia uma contradição. Ao mesmo tempo em que se reconhece a necessidade de maior supervisão e aprimoramento regulatório, busca-se atribuir responsabilidade coletiva a todo o mercado. Especialistas alertam que endurecer excessivamente as regras ou sufocar o mercado pode limitar o crédito, encarecer financiamentos e dificultar a expansão de empresas brasileiras.

Manifesto BM&C News: combater o crime, proteger o mercado

A gravidade do problema levou a BM&C News, emissora referência na cobertura de economia, política e mercado financeiro, a lançar um manifesto institucional com posicionamento claro sobre o tema. Sob o slogan “Combater o crime, proteger o mercado”, o documento defende que é possível enfrentar o crime organizado sem criminalizar o mercado financeiro. O objetivo é jogar luz sobre os impactos econômicos do crime no Brasil e reforçar a importância de preservar um ambiente de negócios sólido, com segurança jurídica, previsibilidade e liberdade para investir e empreender.

O manifesto também enfatiza que a criminalidade mina a confiança, encarece custos e reduz a capacidade do setor produtivo de gerar empregos e riqueza. Nesse sentido, a BM&C News se compromete a ampliar o debate público, dar voz a especialistas e empresários, e apoiar iniciativas que reforcem a segurança como pilar para o desenvolvimento econômico sustentável.

Além dos impactos financeiros, a persistência da economia paralela ameaça a própria liberdade econômica no país. “Sem segurança, não há liberdade para empreender e investir”, reforça o manifesto da BM&C News.

O enfrentamento desse cenário, segundo especialistas, passa pela aprovação de medidas como o Pacote Brasil Mais Seguro, que inclui projetos de lei voltados ao endurecimento de penas, repressão financeira e combate ao mercado ilegal de jogos e apostas. A lógica é simples: reduzir o poder econômico do crime organizado é condição para recuperar competitividade, atrair capital e preservar empregos.

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