BM&C NEWS
  • 🔴 AO VIVO
  • MERCADOS
  • COLUNA
  • MERCADO DE CAPITAIS
Sem resultado
Veja todos os resultados
  • 🔴 AO VIVO
  • MERCADOS
  • COLUNA
  • MERCADO DE CAPITAIS
Sem resultado
Veja todos os resultados
BM&C NEWS
Sem resultado
Veja todos os resultados

O perigo da revanche: por que o Brasil precisa ser diplomático e estratégico diante do “tarifaço” de Trump

Fabio Ongaro Por Fabio Ongaro
25/07/2025
Em Análises

Na última semana, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou um aumento de 50 % nas tarifas sobre todos os produtos importados do Brasil, com vigência prevista para 1° de agosto. A justificativa mistura críticas à condução judicial de Jair Bolsonaro, classificada por Trump como “witch hunt”, com acusações de desequilíbrios comerciais e barreiras brasileiras a produtos americanos.

A reação do presidente Lula foi imediata: classificou a medida como “chantagem inaceitável” e afirmou que o Brasil não se curvará a pressões externas. Mas, embora o discurso firme seja necessário, há um risco real se Lula permitir que a resposta ao tarifaço seja guiada por impulsos ideológicos, ou pior, pessoais. A relação com os EUA exige pragmatismo, resiliência e firmeza técnica, não revanche retórica.

Com isso, alguns setores já estão sentindo o baque. As ações da fabricante brasileira de aeronaves Embraer caíram 8 % logo após o anúncio, o que representa uma perda de aproximadamente US$ 150 milhões em valor de mercado. Com quase 60 % de sua receita proveniente dos EUA, a Embraer pode ver pedidos suspensos ou renegociados.

Os segmentos de café e suco de laranja também foram fortemente impactados. O Brasil é o maior fornecedor de suco de laranja e um dos principais exportadores de café para os EUA. Uma tarifa de 50 % pode comprometer margens e reduzir a competitividade do produto brasileiro, além de abrir espaço para concorrentes como Colômbia ou México.

A Petrobras indicou que poderá redirecionar seus embarques para a Ásia, minimizando a exposição ao mercado americano. Ainda assim, a medida adiciona incerteza a um setor que já opera sob volatilidade global.

Investidores recuam, mas, podem voltar

Desde o anúncio, houve uma saída expressiva de capital estrangeiro da bolsa brasileira e dos fundos de renda fixa. No entanto, essa retirada foi mais emocional do que estrutural, resultado da incerteza e da imprevisibilidade política, não de um rompimento definitivo de fundamentos econômicos. Se o governo brasileiro demonstrar capacidade técnica e serenidade nas negociações, os mesmos investidores podem retornar rapidamente.

Leia Mais

MERCADO DE CAPITAIS

Aversão ao risco atinge setor de tecnologia com dúvidas sobre IA

27 de junho de 2026
BANCO CENTRAL DO BRASIL

Banco Central pisa em ovos diante da inflação inercial, diz gestor

27 de junho de 2026

Porém, na minha visão, ainda é cedo para pânico. Trump costuma recuar. O histórico do presidente dos EUA mostra que anúncios de tarifa costumam ser testes de força e, muitas vezes, são revertidos ou suavizados em negociações subsequentes. Importadores e consumidores americanos, especialmente dos setores de alimentos, energia e aviação, também serão impactados. É provável que grupos empresariais pressionem a Casa Branca por exceções ou cotas. Não houve implementação imediata, e há tempo para costurar acordos bilaterais, buscar mediação na OMC e articular soluções técnicas. Tudo depende da capacidade de diálogo — e da postura do Brasil.

O que o Brasil precisa evitar

O ponto crucial é: se Lula levar a questão para o campo ideológico, tentando transformar o conflito comercial em palco de revanche simbólica contra a direita ou contra o próprio Trump, o país inteiro pagará a conta. O mesmo vale se a resposta for emocional, como retaliações impulsivas ou rompimentos diplomáticos.

O Brasil precisa agora do que demonstrou em outros episódios delicados: pragmatismo para negociar mesmo com adversários, resiliência para suportar pressões externas sem colapsar, e firmeza técnica para proteger seus setores estratégicos com argumentos, não com slogans.

O momento exige menos paixão e mais estratégia. O governo Lula precisa reunir técnicos, diplomatas e representantes setoriais para montar uma resposta coordenada. É possível preservar os interesses nacionais sem transformar a crise em palanque ideológico. O Brasil precisa falar a linguagem dos interesses, não da ideologia.

Nos bastidores, já há movimentações nesse sentido. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) e associações do agronegócio solicitaram audiências com o Itamaraty e com o Ministério da Fazenda para propor soluções negociadas. O Congresso, por sua vez, articula uma frente para acompanhar o impacto setorial da medida.

O tarifaço de Trump pode parecer um terremoto e, de fato, abalou setores estratégicos e investidores. Mas, ainda não é uma catástrofe inevitável. Tudo dependerá de como o Brasil responde. Se com cálculo e serenidade, há espaço para reversão e até fortalecimento das relações comerciais. Se com ressentimento ou retórica vazia, a conta chegará em exportações, empregos e reputação global.

A diplomacia é, acima de tudo, a arte do possível. E, neste momento, o possível começa com uma escolha: reagir com cabeça quente ou com cabeça de Estado.

*Coluna escrita por Fabio Ongaro, economista e empresário no Brasil, CEO da Energy Group e vice-presidente de finanças da Camara Italiana do Comércio de São Paulo – Italcam

As opiniões transmitidas pelo colunista são de responsabilidade do autor e não refletem, necessariamente, a opinião da BM&C News.

Leia mais colunas do autor aqui.

Aversão ao risco atinge setor de tecnologia com dúvidas sobre IA

Banco Central pisa em ovos diante da inflação inercial, diz gestor

Exclusivo: ministro diz que Brasil precisa de neoindustrialização para recuperar espaço perdido

Brasil encerra Cannes Lions 2026 com grand prix histórico para Artplan

Bastidores Cannes Lions: networking e estratégia na Riviera Francesa

Inteligência artificial exige mais repertório humano nas empresas

Quem somos

A BM&C News é um canal multiplataforma especializado em economia, mercado financeiro, política e negócios. Produz conteúdo jornalístico ao vivo e sob demanda para TV, YouTube e portal digital, com foco em investidores e executivos.

São Paulo – Brasil

Onde assistir

Claro TV+ – canal 547
Vivo TV+ – canal 579
Oi TV – canal 172
Samsung TV Plus – canal 2053
Pluto TV

Contato

Redação:
[email protected]

Comercial:
[email protected]

Anuncie na BM&C News

A BM&C News conecta marcas a milhões de investidores através de TV, YouTube e plataformas digitais.

COPYRIGHT © 2026 BM&C News. Todos os direitos reservados.

Sem resultado
Veja todos os resultados
  • AGENDAS BM&C
    • BRASIL PRODUTIVO
      • Mercado de Capitais
      • Inovação travada
    • CONTA BRASIL
      • Combustível Brasil
    • BRASIL QUE INOVA
    • BRASIL QUE EMPREENDE
  • MERCADOS
  • ECONOMIA
  • POLÍTICA
  • ELEIÇÕES 2026
  • EMPRESAS E NEGÓCIOS
  • CASO MASTER
  • PETRÓLEO E ENERGIA
  • INTERNACIONAL
  • PROGRAMAS BM&C
    • BM&C BUSINESS
    • BM&C STRIKE
    • BM&C TALKS
    • BM&C VISÕES
    • CONEXÃO SEGURA
    • GLOBAL WALLET
    • LEADERS CONNECTION
    • MANHATTAN CONNECTION
    • MANIFESTE-SE
    • MERCADO & BEYOND
    • MONEY REPORT
    • PAINEL BM&C
    • PAPO DE DINHEIRO
    • REPCAST
    • ROTA FÁCIL
    • SMART MONEY
    • WALL STREET CAST
  • CANNES LIONS
  • BRAZILIAN WEEK 2026
  • OPINIÃO
    • ALUIZIO FALCÃO FILHO
    • BRUNO CORANO
    • ESTEVÃO SECCATTO
    • FABIO ONGARO
    • FABRIZIO GUERATTO
    • FRANCISCO ALVES
    • MARCO SARAVALLE
    • MARCUS VINÍCIUS DE FREITAS
    • MIGUEL DAOUD
    • RENATO BATISTA
    • RUI DAS NEVES
    • VANDYCK SILVEIRA

COPYRIGHT © 2026 BM&C News. Todos os direitos reservados.