Com a elevação do IOF sobre operações financeiras, o setor de crédito privado enfrentou um desafio imediato: o encarecimento de estruturas amplamente utilizadas por empresas, como os FIDCs (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios). Para contornar essa adversidade, a Ouro Preto Investimentos e a consultoria IOX I FIDC desenvolveram uma solução pioneira, batizada de Pump Day, que visa neutralizar os impactos da tributação, mantendo a atratividade e a sustentabilidade das operações no mercado.
O desafio: impacto do IOF sobre o crédito privado
A recente validação pelo STF do aumento do IOF sobre operações financeiras reacendeu o alerta no mercado, especialmente em setores que dependem de crédito estruturado. A medida, que deve gerar uma arrecadação de R$ 20 bilhões para o governo, tem um efeito colateral significativo: encarece o custo do crédito. Em especial, os FIDCs, amplamente utilizados por pequenas e médias empresas para capital de giro e antecipação de recebíveis, passaram a enfrentar um custo adicional relevante, o que impacta diretamente o fluxo de capital e a viabilidade econômica de muitas operações.
Segundo Leandro Turaça, Sócio-Gestor da Ouro Preto Investimentos, a bitributação imposta pela nova alíquota compromete a lógica dos FIDCs, prejudicando a atração de investidores e aumentando a insegurança jurídica no mercado. Embora a Receita Federal tenha confirmado que não cobrará o imposto retroativamente, o custo estrutural adicional permanece um grande obstáculo para a continuidade das operações.
“Estamos diante de um risco real de expressiva redução de crédito para milhares de empresas. O impacto pode chegar ao fluxo de caixa, à inadimplência e até à judicialização“, alerta Turaça.
Pump day
Em resposta a esse cenário, a Ouro Preto e a IOX I FIDC lançaram a estratégia Pump Day, uma solução inédita que antecipa a rentabilidade da aplicação no primeiro dia, acima da alíquota do IOF. O objetivo é blindar o fundo contra a tributação inicial, restaurando a previsibilidade para os investidores e mantendo a atratividade do produto.
A mecânica do modelo funciona da seguinte forma: imagine um FIDC com retorno anual de CDI + 5%. No primeiro dia, a rentabilidade seria de aproximadamente 0,4%, compensando o impacto do IOF. O retorno restante seria distribuído ao longo dos 12 meses seguintes, com uma rentabilidade ajustada para CDI + 4,60% ao ano. “Essa estratégia garante uma rentabilidade superior logo no início, amenizando a volatilidade gerada pela tributação”, afirma Turaça.
Parceria estratégica
A parceria entre a Ouro Preto e a IOX é estratégica, com a IOX atuando na ponta, diretamente com as empresas, para oferecer soluções personalizadas de antecipação de recebíveis, enquanto a Ouro Preto gerencia o fundo e monitora as operações. Segundo Richard Ionescu, CEO do Grupo IOX, a atuação conjunta das empresas tem sido fundamental para garantir liquidez imediata e previsibilidade financeira às empresas em um cenário de instabilidade econômica.
O fundo IOX I FIDC foi o primeiro a adotar com sucesso o modelo Pump Day, em 11 de julho de 2025. Agora, a Ouro Preto está em fase final de estruturação do modelo também para FIDCs abertos, com a implementação de mecanismos adicionais de proteção e estabilidade.
Ajustes para garantir sustentabilidade e previsibilidade
Entre os ajustes, está a taxa de saída para resgates realizados antes de 12 meses, que garante a proteção dos cotistas e a estabilidade do fundo. Esse mecanismo visa equilibrar a antecipação de rentabilidade no momento da aplicação com a necessidade de previsibilidade para os demais investidores e a sustentabilidade da operação no médio e longo prazo.
Proteção e inovação no crédito privado
Com a implementação do Pump Day, a Ouro Preto e a IOX oferecem uma solução inovadora para o mercado de crédito estruturado, que tem enfrentado desafios com a mudança no cenário tributário. A antecipação de rentabilidade no primeiro dia do investimento, aliada a mecanismos de proteção e estabilidade para os investidores, tem sido fundamental para garantir a continuidade das operações e a atratividade do mercado, mesmo diante do aumento do IOF.

