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As terras raras e a reorganização silenciosa das cadeias globais

Fabio Ongaro Por Fabio Ongaro
01/07/2025
Em Análises

Uma matéria-prima invisível que sustenta o mundo digital e energético são as Terras Raras. Poucos consumidores sabem, mas as terras raras estão presentes em praticamente todos os objetos que definem a vida moderna: imãs de motores de veículos elétricos, turbinas de geração eólica, baterias de alta capacidade, fones de ouvido Bluetooth, painéis solares, fibras ópticas, telas de LED, equipamentos médicos de imagem e sistemas de defesa militar de alta precisão, como radares e mísseis teleguiados.

Do smartphone ao carro elétrico, da transmissão de dados ao arsenal militar, o mundo contemporâneo é cada vez mais dependente desses 17 elementos químicos, cujos nomes ainda soam estranhos ao público geral: neodímio, praseodímio, lantânio, térbio, disprósio, entre outros. Essa presença ubíqua transformou as terras raras de um insumo técnico de nicho para um ativo geopolítico de primeira grandeza.

A China lidera com folga esse mercado, concentrando cerca de 60% da produção mundial de minério bruto e, mais decisivamente, 90% da capacidade global de refino químico, etapa crucial para transformar o material extraído em componentes industriais de alto valor.

Esse domínio não foi casual. É resultado de décadas de planejamento industrial e subsídios estatais, combinados com uma regulação ambiental mais permissiva do que a ocidental. O resultado é uma dependência estrutural das economias avançadas, incluindo os Estados Unidos, Japão e União Europeia.

O risco tornou-se evidente em 2010, quando a China bloqueou temporariamente as exportações de terras raras ao Japão durante uma disputa territorial. O episódio acendeu o alerta: qualquer conflito geopolítico poderia interromper o fornecimento global, com impactos imediatos sobre cadeias produtivas estratégicas.

Onde estão as principais reservas e os desafios da diversificação

As maiores reservas conhecidas de terras raras estão distribuídas da seguinte forma:

  • China: A mina de Bayan Obo, na Mongólia Interior, é a maior do mundo. Outras jazidas estão em Sichuan e no sul do país.
  • Estados Unidos: A mina de Mountain Pass, na Califórnia, é a principal fonte americana. Mesmo assim, parte da produção ainda é enviada à China para processamento.
  • Austrália: A operação da Lynas Rare Earths, em Mount Weld, representa o principal fornecedor não chinês.
  • Brasil: Possui reservas significativas em Araxá (MG), Pitinga (AM) e Serra Verde (GO), com cerca de 20 milhões de toneladas em reservas geológicas, segundo o Serviço Geológico do Brasil.
  • África: Projetos emergentes aparecem em Burundi, Tanzânia e Madagascar, atraindo mineradoras chinesas e ocidentais.
  • Vietnã e Groenlândia: Regiões de potencial crescente, mas ainda em desenvolvimento industrial.
  • Ucrânia: Com reservas relevantes nas regiões de Krivói Rog, Zaporíjia e arredores de Donetsk, a Ucrânia surge como um novo foco de interesse estratégico ocidental.

Apesar da distribuição geológica relativamente ampla, o verdadeiro desafio global está na falta de capacidade de refino fora da China. Construir novas plantas de separação química é caro, tecnicamente complexo e enfrenta forte resistência ambiental em países ocidentais.

A movimentação dos Estados Unidos: foco na Ucrânia

Diante desse cenário, os Estados Unidos intensificaram seus esforços de diversificação, adotando uma estratégia de múltiplas frentes: reativação de minas domésticas, fomento à reciclagem, ampliação de estoques estratégicos e, mais recentemente, acordos bilaterais com países com reservas promissoras.

É nesse contexto que a Ucrânia passou a ganhar relevância. O país possui uma das maiores reservas de terras raras da Europa, ainda pouco exploradas comercialmente, mas mapeadas em estudos geológicos das últimas décadas.

O interesse americano vai além do minério. Um acordo com a Ucrânia atende a dois objetivos simultâneos:

-Reduzir a dependência da China, criando novas rotas de fornecimento para as indústrias de defesa, tecnologia e energia.

-Fortalecer economicamente a Ucrânia, oferecendo ao governo de Kiev uma nova fonte de receitas, fundamental para a reconstrução pós-guerra e para sua integração comercial ao bloco ocidental.

Além disso, o apoio americano à Ucrânia no setor mineral reforça um sinal diplomático importante: Washington está disposto a investir de forma estrutural na economia ucraniana, não apenas em apoio militar emergencial.

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O Brasil diante de uma escolha estratégica

Enquanto EUA, Europa e Japão se movimentam, o Brasil permanece numa posição de potencial adormecido. Apesar de possuir grandes reservas geológicas, o país ainda carece de capacidade de refino, tecnologia de separação e uma política industrial coordenada.

O “Plano Nacional de Terras Raras”, lançado em 2025, busca criar um ambiente mais favorável à atração de investimentos. Projetos como o da Serra Verde Mineração, em Goiás, começam a gerar produção comercial, mas o destino ainda é majoritariamente a exportação de concentrado mineral, com pouco valor agregado.

Para avançar na cadeia, o Brasil precisará resolver gargalos históricos: burocracia ambiental, falta de incentivos à industrialização e ausência de parcerias tecnológicas com países que dominam o refino.

O cenário das terras raras é um exemplo claro da transformação geopolítica em curso: a transição de uma economia movida a combustíveis fósseis para uma nova era de minerais críticos e tecnológicos. Quem controlar o fornecimento desses insumos terá poder de influência sobre indústrias inteiras, do setor de energia à defesa nacional.

Para o Brasil, a oportunidade é real, mas o tempo é limitado. Sem uma política industrial integrada e investimentos de longo prazo, o país corre o risco de permanecer como exportador de matéria-prima de baixo valor, enquanto outros capturam os benefícios tecnológicos e econômicos da nova era dos materiais estratégicos. As próximas decisões serão determinantes. Afinal, a geopolítica das terras raras já começou.

*Coluna escrita por Fabio Ongaro, economista e empresário no Brasil, CEO da Energy Group e vice-presidente de finanças da Camara Italiana do Comércio de São Paulo – Italcam

As opiniões transmitidas pelo colunista são de responsabilidade do autor e não refletem, necessariamente, a opinião da BM&C News.

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