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Opinião: “A Águia Depenada: 100 dias de Trump na Casa Branca”

Mario Goulart Por Mario Goulart
09/05/2025
Em Análises

E chegamos aos 100 dias de governo de Trump, o Alucinado do Topete Laranja. Pretendo ater-me às consequências macroeconômicas de sua guerra comercial contra o mundo, evitando abordar os atentados à democracia americana como a proposta de reeleições indefinidas e outras aberrações congêneres.

A revista The Economist foi extremamente feliz ao mostrar em sua capa uma águia enfaixada com o título “Only 1361 Days to Go” (só faltam 1361 dias!). A impressão que temos de 100 dias de Trump (e um mês de sua “libertação americana”) é de um país que se encontra em posição de fragilidade.

Começo dizendo que o diagnóstico inicial de Trump e sua equipe não é de todo incorreto: a questão dos déficits crescentes é real e preocupante. Esses déficits devem-se ao fato inescapável de o dólar americano ser a moeda de referência do mundo depois do Acordo de Bretton Woods em 1944. E esta razão nos leva ao famoso Dilema de Triffin, onde fica demonstrado que ser uma moeda de referência provoca uma sobrevalorização da moeda, e portanto, em função de seu maior poder de compra temos a consequência dos déficits comerciais. Também é claro que Trump visa uma desvalorização do dólar face a outras moedas com o objetivo de diminuir o tamanho do déficit.

O problema está na implementação da solução escolhida. E, principalmente, na resposta do mundo em geral, e da China em particular.

O Tarifaço

E a solução foi a pior possível: criação de rusgas com todos os parceiros comerciais americanos, ameaças de anexação do Canada e da Groenlândia, e sobretudo o anúncio de um pacote de tarifas que parece ter sido elaborado na mesa de um estagiário inexperiente. O pacote de tarifas, anunciado com grande pompa como o “Liberation Day” foi apenas uma tabela de déficits comerciais relativos, que ignorou completamente o aspecto qualitativo da pauta comercial com cada país, e incluiu absurdos como a  tarifação de ilhas desabitada, ou uma tarifa máxima ao Lesotho, país paupérrimo que exporta uma quantidade irrisória de roupas bordadas aos EUA.

Também não ajudou a forma mercurial com que o pacote foi anunciado. Trump invocou uma emergência econômica e passou a governar por decreto, suas famosas Executive Orders, sempre assinadas com esgares mussolinescos e uma caneta hidrográfica de ponta grossa. A quantidade de Executive Orders impressiona: 142 nos primeiros cem dias, ultrapassando enormemente o recorde de 99 nos primeiros cem dias de Franklin D. Roosevelt (que tentava conter a Grande Depressão através deste instrumento).

Como o mundo reagiu

As consequências foram nefastas: as bolsas americanas despencaram nas primeiras semanas após o 2 de abril. Houve algumas subidas fortes no meio do processo em meio a anúncio de postergação da implementação das tarifas ou de colocação de exceções pontuais. Mas foi um efeito indesejado que acabou fazendo Trump recuar: a venda maciça de títulos do tesouro americano. Normalmente, em momentos de stress em bolsa, compram-se títulos do tesouro, porque são considerados um “porto seguro”. Este movimento, originado na China e no Japão, os maiores detentores da dívida americana, acabou elevando as taxas de juros futuros nos EUA e frustrando os planos de Trump. A seguir, o imperial presidente passou a contestar a autonomia do FED e pedir a cabeça de Jerome Powell (por ele indicado em seu primeiro mandato), dizendo que a inflação estava sob controle e era necessário baixar os juros “na canetada” para ajudar a recuperar as bolsas.

Mais tensão nas bolsas teve o resultado de acalmar (ao menos temporariamente) os ímpetos de Trump, e neste fim de abril vemos um presidente mais comedido.

Recuo tático? Ou retirada?

As tarifas foram adiadas por 90 dias, e muito provavelmente serão esquecidas. Com exceção da China. Que bancou o blefe de Trump e começou uma guerra tarifária à parte, com tarifas chegando a 145% (para produtos chineses) e 125% para produtos americanos. O grande problema é que hoje as cadeias globais de produção são de tal forma integradas que este processo de tarifação criará uma disrupção do comércio global. Trará inflação aos EUA, o que aumentará o descontentamento político (lembremos que uma das causas da impopularidade de Joe Biden era justamente a inflação elevada), além de dificultar o trabalho do FED em baixar juros.

Apesar de a China ser um país dependente de exportações, seu mercado interno aumentou. A dependência dos Estados Unidos como comprador diminuiu de cerca de 20% para 12% como destino de exportações. E a China espera há algum tempo uma oportunidade para contestar a hegemonia americana. Trump pode ter criado essa janela histórica ao hostilizar os principais parceiros americanos, não só na arena econômica, mas também na geopolítica.

Uma equipe em desarranjo

No momento, parecemos ver um Trump tentando uma saída honrosa. Pesa um pouco o fato de sua equipe, formada especialmente por bajuladores, cujo critério de seleção é muito mais a fidelidade canina ao presidente que a competência técnica, estar começando a ter sinais de desgaste. Scott Bessent, o secretário do Tesouro, parece estar assumindo a posição de “adulto da sala”, e trazendo uma conversa mais moderada. Inclusive de que as tarifas são irreais.

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Elon Musk aparentemente não vai conseguir chegar nem perto do trilhão de dólares de economia que prometeu em seu “departamento de eficiência governamental”, o DOGE. Depois de uma discussão acalorada com Bessent e pressionado pelos acionistas da Tesla após queda expressiva das ações da empresa, anunciou há alguns dias que vai se dedicar mais à empresa e reduzir sua participação no governo.

O conselheiro econômico de Trump e mentor intelectual do tarifaço, Pete Navarro, ex-democrata e ex-presidiário, também não vem tendo dias tranquilos. E também teve sério desentendimento com Elon Musk, que o chamou de imbecil. Sua teoria da destruição do comércio internacional e volta ao mercantilismo primitivo está estabelecido em um documento assinado por seu alter ego que atende pelo sugestivo anagrama Ron Vara.

Outro problema que vem causando bastante controvérsia é a possibilidade de integrantes do círculo íntimo do presidente estarem pré-informados sobre divulgação de informações e terem montados posições vendidas e compradas em bolsa. Embora não confirmada, parece tão óbvia que poucos contestam.

Para o investidor:

Como conselho aos investidores: a turbulência deve continuar. E para se proteger é importante ter em mente que os títulos do tesouro americano e o próprio dólar deixaram de ser porto seguro. Um vencedor no câmbio foi o franco suíço: entram e saem as décadas, a Suíça segue sendo um porto seguro. E um ativo que pela primeira vez se sobressai é o bitcoin. Por ter uma quantidade limitada por protocolo, os investidores começam a enxergar a criptomoeda como alternativa de reserva de valor.

Gostaria de poder dizer que o insucesso da primeira investida de Donald Trump traria um presidente mais moderado. Entretanto a forte presença de entusiastas da política MAGA (Make America Great Again) no círculo próximo ao presidente, e  a pressão do seu eleitorado por uma reindustrialização rápida (que não acontecerá) pode trazer novas invectivas populistas, com grande potencial de volatilidade.

Coluna escrita por Mario Goulart, engenheiro civil, analista CNPI-P, Analista Chefe da Minha Gestora

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