O mercado de fundos multimercados vem enfrentando uma desaceleração significativa nos últimos anos, segundo levantamento da Comdinheiro. A análise revela um cenário de menor otimismo e de gestores cada vez mais cautelosos.
Para Filipe Ferreira, diretor de negócios da Comdinheiro, o fenômeno pode estar associado à redução de confiança dos gestores em desenvolver estratégias diversificadas que superem os índices de referência do mercado. “A indústria de fundos multimercados, que já foi sinônimo de inovação e criatividade, está hoje muito mais concentrada em estratégias simples, como as de juros curtos“, afirma Ferreira.
Embora o desincentivo à criação de fundos exclusivos possa explicar parte dessa tendência, uma vez que o multimercado oferecia maior flexibilidade para esses produtos, o diretor observa que a queda vem desde 2022, quando essa discussão sequer existia.

Sinal de alerta no mercado
Historicamente, a criação de novos fundos é vista como um termômetro do otimismo no mercado financeiro. Quando novos produtos surgem, isso geralmente indica que os gestores acreditam ter estratégias capazes de atrair investidores e gerar retornos superiores.
No entanto, a falta de lançamentos sugere um ambiente mais conservador, no qual gestores evitam assumir riscos maiores e preferem opções mais previsíveis. Segundo Ferreira, essa dinâmica enfraquece a oferta de soluções mais criativas para os investidores e limita a diversificação do mercado.
A queda na criação de novos fundos multimercados acende um sinal de alerta sobre a confiança do mercado. Enquanto as estratégias mais simples ganham espaço, a inovação, que sempre foi um pilar da categoria, parece estar em segundo plano. “O desafio agora é resgatar o dinamismo e a ousadia que tornaram o multimercado tão relevante para o investidor brasileiro“, conclui Filipe Ferreira.

