Nesta quinta-feira (06), o economista VanDyck Silveira discutiu os desafios econômicos atuais, tanto no Brasil quanto no cenário global. Entrevistado por Paula Moraes, VanDyck abordou temas cruciais como a desancoragem das expectativas de inflação e a crescente crise fiscal.
Crise Fiscal no Brasil: O Elefante na Sala

Segundo VanDyck Silveira, a principal preocupação econômica no Brasil é o problema fiscal. “O governo insiste em não observar o problema fiscal, que se avoluma a cada dia”, afirmou o economista. Ele destacou que, embora o Congresso Nacional tenha aprovado algumas medidas tributárias, como a taxação das blusinhas, há resistência em taxar itens de maior valor, como PGBL e VGBL.
Política Monetária e Expectativas de Inflação
VanDyck enfatizou que o Banco Central do Brasil está focado na desancoragem das expectativas de inflação, mesmo com recentes sinais de melhora. O debate atual gira em torno da continuidade dos cortes de juros, uma vez que a expectativa de inflação global permanece elevada. O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, está monitorando de perto essa questão, pois a inflação tem sido um ponto crucial na tomada de decisões monetárias.
Cenário Global: Dívida e Política Monetária
O economista também comentou sobre o cenário global, onde a queda de juros tem sido mais tímida do que o esperado. Segundo ele, a alta dívida global, liderada por Estados Unidos e China, chega a 320% do PIB global, criando um “elefante na sala” em nível mundial. VanDyck explicou que, com o aumento do endividamento, a função reação dos bancos centrais é manter ou elevar as taxas de juros para controlar a inflação.
Interação entre Política Fiscal e Monetária
A interação entre política fiscal e monetária foi outro ponto destacado na entrevista. Nos Estados Unidos, por exemplo, há um cabo de guerra entre republicanos e democratas sobre os gastos governamentais. VanDyck explicou que essa tensão é visível não só nos EUA, mas também em outras economias avançadas.
Perspectivas Futuras
Para o futuro, VanDyck prevê que as taxas de juros globais se acomodarão em níveis mais altos do que na última década, com a inflação global permanecendo elevada. No Brasil, ele estima que a taxa de juros de longo prazo poderá se estabilizar em torno de 8,5%, com a inflação se mantendo em cerca de 4% por um período prolongado.

