O governo dos EUA divulgou na manhã desta sexta-feira (31) o dado que é considerado a medida de inflação preferida pelo Federal Reserve (Fed, banco central americano). O indicador correspondeu às expectativas em abril, evidenciando a falta de progresso no controle do crescimento dos preços no início de 2024.
Acontece que o índice de preços de despesas de consumo pessoal (PCE, na sigla em inglês) subiu 0,3% em abril em relação a março, conforme o consenso. Em março e fevereiro, o PCE também havia registrado uma alta de 0,3% em comparação com os meses anteriores.
Já a variação anual do PCE (cheio) foi de 2,7% no mês passado, enquanto o Fed mantêm uma meta de inflação anual de 2%, e o núcleo do PCE, que exclui componentes de alimentos e energia, aumentou 0,2% em abril na margem e 2,8% em relação ao ano anterior.
Análise da Economia nos EUA

Fábio Murad, sócio da Ipê Investimentos, afirma que o referido PCE indica que o mercado deve observar estabilidade na taxa de inflação. “A constância do PCE é um bom sinal de que a economia está crescendo a um ritmo saudável. No entanto, é crucial manter atenção aos possíveis efeitos da inflação nos próximos meses”, diz
Para junho, elenca que o PCE divulgado sugere que o mercado pode experimentar um período de estabilidade relativa. No entanto, a inflação e outros fatores macroeconômicos ainda podem influenciar o desempenho do mercado. “Em termos de recomendações para os investidores, aconselho manterem um portfólio diversificado para se protegerem contra possíveis choques de mercado. Além disso, devem ficar atentos às atualizações dos dados do PCE e outras métricas econômicas, pois podem ter um impacto significativo nas tendências à frente”, indica.
Índice de Atividade Industrial de Chicago veio bem abaixo do esperado
“Hoje, foram divulgados dados econômicos importantes no exterior. O Índice de Preços ao Consumidor (PCE) anual veio em linha com o esperado, indicando que a inflação continua forte. Embora o PCE mensal tenha vindo um pouco abaixo, isso não foi suficiente para animar o mercado. Após a digestão dos dados, fica claro que a inflação continua robusta. Além disso, o Índice de Atividade Industrial de Chicago veio bem abaixo do esperado. Este dado, juntamente com o PIB divulgado ontem, indica que a atividade econômica está desacelerando. No entanto, a inflação não está desacelerando na mesma proporção, o que é preocupante. Quando a atividade econômica desacelera e a inflação permanece alta, isso gera uma demanda forte por segurança nos títulos de 10 anos dos Estados Unidos, pressionando a taxa de juros para baixo.
Agora, a pressão aumentou para a próxima semana, com a divulgação dos dados de emprego. Se esses dados mostrarem uma desaceleração, isso confirmará a desaceleração da atividade econômica e poderemos prever um horizonte de desaceleração da inflação. Enquanto esses dados não forem divulgados, o mercado continuará reagindo negativamente. “Isso é evidente com o Nasdaq e o S&P em queda, o que também está pressionando nosso cenário local. O dólar está mais forte devido à disputa da Petax, e a curva de juros aqui também está empinada. Estamos vendo o IBOV desacelerar. Tudo isso está acontecendo em conjunto. Claro, internamente temos questões fiscais, votações e questões do Banco Central, mas tudo está contribuindo para um cenário mais negativo”, afirma Jefferson Laatus.”
Cautela se mantém para os investidores
O economista Volnei Eyng, CEO da Multiplike, reforça que em junho o investidor deve continuar mantendo cautela na renda variável, pois ainda não há uma sinalização acerca de uma diminuição de juros, mas, ao mesmo tempo, um cenário desses também proporciona oportunidades na bolsa.
Para o sócio-fundador e estrategista-chefe do Grupo LAATUS, Jefferson Laatus, o mercado está reagindo bem aos dados do PCE, pois mostra que a inflação americana não está aumentando. “Porém, ela também não está arrefecendo. A possibilidade do Fed cortar juros em setembro voltou a ganhar força ante a expectativa anterior, que indicava julho”, frisa.
Cortes de juros apenas em setembro
Por conta do PCE divulgado hoje, as apostas de que o Fed iniciará o corte de juro apenas em setembro subiram, conforme indica a consultoria CME, para quem a nova projeção está em 50,4% de chances, ante os 48,7% de antes.
A Oxford, por sua vez, comunicou que os dados de hoje agradam a autoridade monetária americana, mas o Fed precisa de ainda mais dados favoráveis para iniciar esse movimento. “Vale destacar que o crescimento do consumo real ainda está em um número anualizado ‘sólido’”, destaca, em relatório.

