Ibovespa acumula perda de 11,5% em junho e tem pior desempenho dos últimos 27 meses

Especialistas destacam um cenário ainda desafiador para os próximos meses nos mercados mundiais, principalmente para as economias emergentes

O ambiente adverso de aperto monetário e receio de uma possível recessão assustou os mercados internacionais e causaram um forte dano no Ibovespa. O principal índice da bolsa brasileira apresentou uma queda acumulada de 11,5% em junho, a pior performance para um mês desde março de 2020, quando a Organização Mundial da Saúde chamou oficiamente a proliferação da Covid-19 de pandemia.

O cenário adverso dos mercados mundiais, que enfrentam um cenário de inflação alta e persistente e choques nas cadeias de produção, levou aos principas bancos centrais a assumirem uma postura mais dura em relação à política monetária. O Federal Reserve, por sua vez, elevou sua taxa de juros em 0,75 ponto percentual, o maior aumento desde 1994, para a faixa entre 1,5% e 1,75%.

O Banco Central Europeu (BCE), por sua vez, já sinalizou que irá fazer uma provável elevação de 0,25 p.p. nos juros este mês. Além disso, a presidente do BCE, Christine Lagarde, afirmou que se os preços ao consumidor persistirem em um patamar alto, um aumento de 0,5 p.p. em setembro é possível.

Esse cenário de política monetária mais contracionista dos principais mercados acionários, sobretudo dos EUA, insere um desafio extra para as economias emergentes, como o Brasil. “A soma da preocupação com o crescimento global por conta das políticas monetárias restritivas, além de um processo de reabertura incompleto na China, foi particularmente danosa para o nosso mercado – principalmente para o complexo de commodities”, afirmou o BTG Pactual, em relatório.

Para a Genial Investimentos, o cenário ainda continuará complicado. “A percepção de um cenário mais construtivo ainda parece distante, considerando os desafios atuais. Inflação, recessão, fiscal e eleições seguem ainda como incógnitas para o mercado. Dessa forma, justificam que ainda exista espaço para uma piora antes de alguma sinalização mais positiva”, destacou a corretora.

DESEMPENHO PRIMEIRO SEMESTRE

Apesar de um momento de alegrias nos quatro primeiros meses de 2022, com ganhos de 19% e operando em um patamar de 120 mil pontos, o principal índice da B3 sentiu o baque em maio e junho e finalizou o semestre com baixa de 5,99%.

As ações de commodities, que puxaram o Ibovespa no início do ano, não conseguiram manter o desempenho. A mineradora Vale (VALE3), por exemplo, teve queda superior a 20% entre abril e junho devido ao desempenho dos preços do minério de ferro na China.

SEGUNDO SEMESTRE

O Itaú BBA reduziu sua visão para o mercado acionário brasileiro no segundo semestre, reduzindo o desempenho do Ibovespa de 115 mil pontos para 110 mil pontos no final deste ano. Ainda assim, a nova estimativa ainda aponta para uma valorização de 11,1% em relação ao fechamento da última sexta-feira.

De acordo com o relatório, o corte reflete a um cenário desafiador no curto e médio prazo, principalmente em questões macroeconômicas. Apesar do menor crescimento global, o banco segue com exposição em companhias relacionadas a commodities, grandes bancos, energia e saneamento, mas com um visão mais cautelosa com setores de pagamentos, tecnologia, construtoras, saúde e varejo.

O BTG enfatizou os problemas que terão neste segundo semestre. “Os próximos meses serão marcados por um Fed que deve subir os juros de forma mais intensa para ancorar as expectativas de inflação, mesmo com efeitos negativos para crescimento”, disse o banco, que comentou sobre o cenário para o Brasil.

“Os velhos problemas continuam no radar: inflação e risco fiscal. Enquanto o primeiro vetor macro continua piorando quando olhamos para 2023, o segundo está se deteriorando ainda para 2022”, disse.

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