Agronegócio usa seguro proteger safra de riscos climáticos; entenda como funciona

Rodolfo Bokel, sócio da corretora Globus Seguros, disse que os produtores rurais se preocupam em estar cada vez mais preparados para as mais diversas situações

De acordo com dados do Ministério da Agricultura, no ano passado, o valor segurado ultrapassou R$ 68 bilhões, o que representa um aumento de aproximadamente 49% em relação a 2020. As agriculturas que apresentaram uma maior demanda foram soja, milho (2ª safra), trigo, milho (1ª safra), café, maçã, uva, arroz e o tomate.

Com o auxílio do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), foram contratadas 218 mil apólices e a área segurada total foi de 14 milhões de hectares, 2,4% superior ao resultado de 2020. 

“Isso significa que os produtores rurais estão cada vez mais conscientes sobre a preservação de suas fazendas e plantações e querem estar preparados para as mais diversas situações, como, por exemplo, os riscos climáticos”, disse Rodolfo Bokel, sócio da corretora Globus Seguros.

Bokel acrescenta que os sinistros mais comuns são perdas por geadas e seca, além de queda de produtividade pelo excesso ou falta de chuva. “Independente do tamanho do agricultor, o seguro climático é essencial para assegurá-lo contra perdas ocasionadas pela própria natureza. Fenômenos naturais, mudanças bruscas de temperatura, entre outros, podem prejudicar e muito o empresário que depende da venda daquilo que produz”, explicou.

Para a cobertura de riscos climáticos, existem três tipos: multirisco, nomeados e seguros de produtos paramétricos.

Multirisco

Como o próprio nome sugere, o seguro multirisco cobre diversos riscos climáticos. O especialista destacou que, na cotação mais básica, normalmente, está incluso chuva excessiva, seca, geada, granizo, raio e incêndio, entre outros. Tratando-se de seguro de faturamento/receita, a variação de preço da cultura também será um dos riscos cobertos. 

No entanto, existem algumas variáveis que devem ser observadas, como a produtividade esperada, uma vez que tem como referência o potencial de produção da lavoura baseado em uma média histórica.

“O mercado segurador, geralmente, define esses números com base em dados do IBGE, de cooperativas, instituições financeiras ou consultando o próprio produtor rural”, disse o especialista.

“O nível de cobertura é outro fator importante a ser observado, já que ele é um percentual de proteção garantida pela apólice.  Esse número varia de 50% a 85%, dependendo da seguradora e do produto. Quanto maior o nível de cobertura, maior a proteção oferecida pela apólice”, acrescentou Bokel.

Além disso, outra variável nesta modalidade são as coberturas adicionais. “Alguns produtos oferecem a possibilidade de contratação, como é o caso, por exemplo, da cobertura de replantio e de perda de qualidade”, destacou.

Nomeados

Já na modalidade de riscos nomeados, o segurado pode contratar proteção apenas para os riscos de seu interesse. “Em áreas de baixa temperatura, o produtor rural pode optar por contratar apenas a cobertura de geada. Cobre diversos riscos climáticos em uma única cobertura”, disse. 

O profissional da Globus pontuou ainda que o principal objetivo das agriculturas de frutas e hortaliças é cobrir as perdas qualitativas e a produtividade.

“Em culturas de grãos e cana de açúcar, a indenização costuma se basear na proporção da área atingida em relação à área total segurada. Na apólice deve constar a franquia ou POS (Participação Obrigatória do Segurado), que é o percentual de risco assumido pelo próprio segurado, o qual normalmente varia de 10% a 30%”, destacou.

Seguros de produtos paramétricos

Por fim, para o tipo de seguros de produtos paramétricos a cobertura é baseada na variação de um parâmetro preestabelecido na apólice, que pode ser das seguintes modalidades:

  • • Seguro de Dados Meteorológicos, onde baseia-se na variação de um determinado índice meteorológico, como pluviométrico ou temperatura, indenizando os segurados caso os índices sejam inferiores ou superiores ao estipulado na apólice, gerando prejuízos à lavoura;
  • • Seguro de Produtividade Média de Grupo, onde a cobertura é dada por um conjunto de agricultores segurados e baseia-se na produtividade média de todos, geralmente estabelecida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O nível de proteção dependerá do percentual de cobertura contratada.

“Seja qual for a opção de seguro rural escolhido, é importante levar em consideração todos os fatores que influenciam a produtividade do seu negócio e entender todas as cláusulas e coberturas garantidas pela apólice”, finalizou.

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