Como as startups movimentam o mercado de trabalho

Seguindo volume recorde de aportes, as startups movimentam o mercado de trabalho e recebem apoio dos fundos na busca por talentos

Em 2021, as startups brasileiras receberam um volume recorde de aportes. Foram quase US$9,5 bilhões em investimentos – 2,5 vezes maior quando comparado ao ano anterior. Com “dinheiro no bolso”, as startups estão prontas para ganhar escala, mas, para isso, precisam de mais pessoas em seus times.

Exemplo disso é a Pipo Saúde, startup de gestão de planos de saúde para empresas, que, em julho do ano passado, levantou R$100 milhões na maior rodada Série A do mercado brasileiro de healthtechs. Para atingir a meta de aumentar a receita em mais de 300% em 2022, a Pipo abrirá 100 novas vagas. A startup já tinha duplicado o quadro de colaboradores para 200 em 2021.

Outro exemplo é a Trashin. Em 2019, a startup de logística reversa, gestão de resíduos 360 graus e consultoria ambiental, realizou sua primeira captação através da CapTable, o que ajudou a acelerar o desenvolvimento e expansão do negócio. Em 2021, em sua segunda captação pela CapTable, a Trashin captou R$1 milhão, de 192 investidores, em apenas 4 horas.

Seguindo a captação, a cleantech fechou 26 novos contratos ao longo do ano. E para atender à demanda, a startup teve que praticamente duplicar a equipe: passou de 15 funcionários em 2020 para 29 em 2021.

Com o aumento de clientes, também cresce o impacto social propiciado pela startup, que gerou mais de R$900 mil em renda e adicionalidade para as cooperativas de reciclagem e agentes logísticos. Nas cooperativas, a cleantech desenvolve projetos de capacitação, levando às cooperativas treinamentos de como implementar planos de ação, pesquisas de mercado e planejamento estratégico, com o objetivo de colocá-las em evidência e torná-las referência dentro do mercado em que estão inseridas.

Esse resultado é uma prova de que todos saem ganhando com essa parceria, já que o trabalho da startup está sendo visto pelas cooperativas de reciclagem como uma oportunidade de trabalhar com grandes empresas.

Fundos ajudam startups a contratar

Vendo a corrida por novos talentos, dois dos principais fundos dos Estados Unidos, Sequoia e Andreessen Horowitz, montaram estruturas para apoiar as startups em suas políticas de contratação e retenção. O próprio Softbank, gigante dos investimentos, criou uma área de carreira em seu site que permite que startups anunciem as vagas disponíveis em cargos de gerência e de tecnologia. 

E não para por aí. O Softbank Latin America montou uma equipe própria para ajudar as startups do portfólio a contratar talentos. Apenas em 2021, já aconteceram 230 contratações em cargos de diretoria, board e C-level em mais de 60 startups.

Tudo isso porque os fundos perceberam os custos de contratar profissionais inadequados – desenvolver e reter talentos é o diferencial que faz alguns negócios crescerem e outros não. E os fundos brasileiros não ficam de fora desse movimento. Recentemente, a Astella Investimentos contratou Ana Rezende, psicóloga com MBA em administração, para auxiliar as startups a desenvolverem sua “máquina de talentos”.

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