“Enquanto BC não domar inflação, teremos problemas seríssimos”, afirma professor de economia

Otto pontuou que a taxa de juros retrata muito mais uma condição estrutural do país, como a educação, saúde, segurança e a mobilidade urbana

Diante de cenário inflacionário e expectativa de término do ciclo de aperto monetário para maio, conformou informou o presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, durante entrevista, o professor de economia do Insper, Otto Nogami, comentou, nesta terça-feira (29), sobre os impactos da elevação da taxa de juros para a economia.

“O grande problema que nós estamos enfrentando hoje é o processo inflacionário. Enquanto o Banco Central não conseguir domar essa inflação, realmente, nós teremos problemas seríssimos na atividade econômica como um todo”, afirmou durante entrevista à BM&C News.

Durante a explicação, Otto disse que, a medida que o processo inflacionário vai tirando o poder de compra das famílias, o nível de consumo cai (demanda interna) e isso, para a indústria, significa ter de produzir menos.

“Isso faz com que o setor produtivo da economia se sinta precavido e, principalmente, levando-se em conta que estamos em um ano eleitoral”, disse.

Com isso, Otto destacou ainda que de modo a angariar voto isso faz com que o próprio Estado tenha a tendência de aumentar seus gastos. Neste sentido, o aumento de gastos pode compensar a queda no consumo.

“Mas é muito temerário, porque o governo não tem mais espaço fiscal, então a medida que tenha necessidade de financiar o déficit, ele acaba comprometendo a poupança nacional”, explicou.

Questionado sobre o controle da inflação, Otto pontuou que a elevação da taxa de juros acaba criando junto à sociedade uma preocupação adicional de que tudo vá ficar mais caro.

Com isso, partindo do ponto de vista do professor, a taxa de juros retrata muito mais uma condição estrutural do país, como a educação, saúde, segurança e a mobilidade urbana.

“A medida que esses quatro elementos apresentam uma piora, então, necessariamente você tem que elevar a taxa de juros, porque custa mais caro produzir no país. Então, não adianta ficar só mexendo na taxa de juros se não tomar cuidado, justamente, com essa questão que envolve a infraestrutura”, ressaltou o especialista.

Confira a análise na íntegra:

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