Zelensky diz que Ucrânia precisa de ajuda militar para salvar pessoas e cidades

O chefe de Estado fez um apelo às nações ocidentais reunidas em Bruxelas

A guerra na Ucrânia completa um mês nesta quinta-feira (24). O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, participou da cúpula extraordinária da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), via videoconferência, e disse que, “para salvar as pessoas e nossas cidades, a Ucrânia precisa de assistência militar”.

O chefe de Estado fez um apelo às nações ocidentais reunidas em Bruxelas para tomarem “medidas sérias” para ajudar Kiev a combater a invasão russa. Ele criticou o grupo e pediu para que “nunca, por favor, nunca mais nos digam que nosso exército não atende aos padrões da Otan”.

O agitado dia das cúpulas, que busca manter a unidade ocidental, começa na sede da Otan em Bruxelas, onde os líderes da aliança de defesa transatlântica concordarão em aumentar as forças militares no flanco oriental da Europa.

Enquanto os líderes prometeram aumentar o apoio à Ucrânia, os diplomatas da UE minimizaram as expectativas de novas sanções importantes contra a Rússia, e o secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, repetiu que a aliança não enviará tropas ou aviões para a Ucrânia.

“Nessas três cúpulas veremos quem é nosso amigo, quem é nosso parceiro e quem nos entregou e nos traiu”, disse Zelenskiy em um discurso em vídeo divulgado no início desta quinta.

Ele disse esperar “medidas sérias” dos aliados ocidentais, repetindo apelos por uma zona de interdição de voo sobre a Ucrânia e reclamando que o Ocidente não tinha fornecido à Ucrânia aviões, modernos sistemas anti-mísseis, tanques ou armas anti-navio.

SEM MEDO

Embora não enviem tropas ou aviões, as 30 nações da Otan, alarmadas com a perspectiva de que a Rússia possa escalar a guerra com seu vizinho após um conflito de um mês, concordarão em enviar equipamentos à Kiev para que se defendam contra ataques biológicos, químicos e nucleares.

Líder após líder disse ao chegar na reunião da aliança militar que o objetivo é ajudar a Ucrânia a se defender.

“Vladimir Putin já cruzou a linha vermelha para a barbárie”, disse o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, acrescentando: “Quanto mais duras nossas sanções… mais podemos fazer para ajudar a Ucrânia… mais rápido esta coisa pode acabar”.

Johnson disse à rádio LBC anteriormente que uma opção era ver se mais poderia ser feito para impedir o presidente russo de acessar suas reservas de ouro, o que poderia impedir as pessoas de comprar ouro russo para convertê-lo em moeda forte.

A determinação de punir Moscou com sanções maciças será sublinhada por uma reunião de emergência das economias avançadas do G7, que trará o Japão para a sala com seis membros da Otan.

Então, com uma reunião de cúpula da União Europeia de 27 nações, países que representam mais da metade do produto interno bruto do mundo terão se reunido em um dia.

“Os passos de Putin são feitos para nos assustar também, de modo que nos impeça de ajudar a Ucrânia… definitivamente não devemos cair nessa armadilha”, disse a primeira-ministra estoniana, Kaja Kallas. “Putin não pode vencer esta guerra, ela é muito importante para todos nós.”

O ataque da Rússia à Ucrânia já matou milhares e expulsou de suas casas quase um quarto dos 44 milhões de ucranianos, segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU), incluindo mais de 3,6 milhões de pessoas que fugiram do país.

Putin diz que suas forças estão engajadas em uma “operação militar especial” para desmilitarizar e “desnazificar” a Ucrânia. A Ucrânia e o Ocidente dizem que Putin lançou uma guerra de agressão não provocada.

A Otan aumentou sua presença em suas fronteiras orientais, com cerca de 40.000 soldados espalhados do Báltico até o Mar Negro. Espera-se que os líderes da aliança concordem em implantar quatro novas unidades de combate na Bulgária, Romênia, Hungria e Eslováquia para tranquilizar ainda mais os países em seu flanco oriental.

“Ninguém pode se sentir seguro agora”, disse o presidente da Lituânia, Gitanas Nauseda.

(Com informações da Reuters, da reportagem de Marine Strauss, Benoit Van Overstraeten, Philip Blenkinsop, John Irish, Kate Abnett e Jan Strupczewski)

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