Dólar marca 7ª queda seguida ante real com Brasil continuando a atrair recursos

Com o desempenho desta quinta-feira, o dólar agora recua 13,3% no acumulado de 2022 frente ao real

O dólar encerrou esta quinta-feira em queda – embora bem longe de mínimas intradiárias abaixo de 4,80 reais, que atraíram compradores -, com os participantes do mercado sem enxergar perspectivas de um final para o fluxo contínuo de recursos estrangeiros que tem entrado no Brasil desde o início do ano.

Em queda pela sétima sessão seguida, a divisa norte-americana marcou sua maior sequência de desvalorizações diárias desde uma série de mesma duração finda em 22 de abril de 2021, caindo 6,34% no período.

Vanei Nagem, sócio proprietário da Pronto!Invest, disse à Reuters que “não mudou esse cenário de fluxo estrangeiro entrando pesado” no mercado brasileiro. “Apesar de o mundo todo estar nervoso, o dólar continua caindo (contra o real); não tem como segurar essa queda neste momento.”

Com a taxa Selic em dois dígitos, os juros básicos brasileiros são apontados por especialistas como o principal fator de impulso para o real neste início de ano. A taxa básica de juros saiu de uma mínima histórica de 2%, atingida durante a pandemia, para os atuais 11,75%.

E a taxa deve continuar a subir, atingindo 12,75%, na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) em maio, segundo sinalização do Banco Central. Embora algumas instituições financeiras e participantes do mercado projetem a Selic acima de 13% ao fim do atual ciclo de aperto, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, apontou um cenário de ajuste final de 1 ponto percentual em maio como o mais provável.

Seus comentários, feitos nesta quinta-feira, derrubaram as taxas dos principais DIs ao longo de toda curva de juros brasileira.

Mas, independentemente de qual será o patamar terminal da Selic, o fato é que o Brasil tem atualmente uma das maiores taxas de juros nominais do mundo, atrás apenas de Rússia, Turquia e Argentina, países considerados muito arriscados, com os dois últimos assolados ainda por taxas de inflação galopantes.

Isso torna o Brasil uma opção atraente para investidores que buscam retornos elevados com estratégias de “carry trade”, que consistem na tomada de empréstimos em moeda de país de juro baixo (como o dólar) e aplicação desses recursos numa divisa que oferece rendimento maior.

Nos Estados Unidos, país de referência global para investimentos, a taxa básica de juros está numa faixa entre 0,25% e 0,50%, após o Federal Reserve ter promovido aperto de 0,25 ponto percentual na semana passada.

Além de se beneficiar do amplo diferencial de juros entre Brasil e EUA, o real também tem refletido a disparada no preço de várias commodities desde a invasão da Ucrânia pela Rússia.

Nagem chamou a atenção para o fato de o dólar ter rompido suportes técnicos de maneira sucessiva, cruzando as marcas de R$ 5,00, R$ 4,90 e R$ 4,85 nas últimas sessões. Nesta quinta-feira, na mínima intradiária do pregão, a moeda chegou a tocar R$ 4,76, embora não tenha conseguido se sustentar abaixo dos R$ 4,80 até o fim dos negócios, já que o preço baixo atraiu compradores.

O dólar à vista encerrou o dia em queda de 0,28%, a R$ 4,83 reais na venda, menor cotação desde 13 de março de 2020 (4,8128). A sessão foi volátil, com a moeda trocando de sinal várias vezes ao longo das negociações. No pico do dia, chegou a subir 0,29%, a R$ 4,85.

Com o desempenho desta quinta-feira, o dólar agora recua 13,3% no acumulado de 2022 frente ao real, que lidera os ganhos globais contra a divisa dos EUA no período.

Segundo Nagem, o dólar deve se desvalorizar ainda mais no curto prazo, em direção aos R$ 4,60, patamar apontado por ele como a barreira de resistência mais forte para a moeda no momento.

Já Bruno Mori, planejador financeiro na Planejar, disse que vê os R$ 4,50 como ponto de suporte para a divisa norte-americana. Ele não descartou, no entanto, a possibilidade de haver eventuais ajustes para cima em seu preço, já que “movimentos muito rápidos de queda tendem a ser corrigidos com algumas altas posteriores em alguns dias”.

Na B3, às 17:06 (de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento subia 0,27%, a R$ 4,84.

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