Momento de baixa em fundos imobiliários pede seletividade

O impacto da conjuntura econômica nos fundos imobiliários é evidente

Uma pandemia, inflação em alta, taxa de juros na casa dos dois dígitos e, agora, uma guerra que pressiona ainda mais os preços das commodities. Para completar, o ano de 2022 no Brasil coloca ainda mais volatilidade no mercado com eleições presidenciais em outubro. O cenário de incertezas já é sentido no mercado há algum tempo, e os Fundos Imobiliários (FIIs) não passaram ilesos. Por isso, analistas apontam oportunidades de investimentos nesses ativos, uma vez que vários estão com preços considerados baixos.

O impacto da conjuntura econômica nos fundos imobiliários é evidente. O Ifix, índice de referência da B3 que acompanha os principais fundos com cotas negociadas na Bolsa, registrou queda de 2,29% em 2021 e acumula recuo superior a 3% em 2022.

Esse movimento de desvalorização faz com que alguns FIIs sejam negociados abaixo do valor patrimonial – o total de ativos que compõem os fundos dividido pelo valor de cotas. Ou seja, quem investe neles estaria pagando um preço inferior ao que o ativo vale.

Um levantamento feito pela Alianza Investimentos Imobiliários com a Quantum Axis mostra que, entre os FIIs de tijolos – que representam imóveis físicos -, cinco segmentos estão negociando cotas abaixo do valor patrimonial: fundos de fundos (FOFs), híbridos, de lajes corporativas, de logística e de shoppings.

Para Fabio Carvalho, sócio da Alianza Investimentos Imobiliários, a alta da Selic prolongou um efeito da pandemia em um mercado ainda em recuperação. “É um momento interessante para acumular, porque esses FIIs estão bastante baratos. Sem pressa, vá comprando aos poucos, gradualmente. O cenário macroeconômico atual não vai mudar de um dia para o outro”, afirma.

Além do preço

Não é só o fator preço que deve ser observado, alerta Thiago Lima, head da JGP Real Estate. “Nem tudo vale a pena somente por ser barato. A decisão de investimento também requer uma análise de outros indicadores, como custo de reposição, yield (rendimento), qualidade do lastro dos ativos e uma visão qualitativa. Muitas vezes só o valor patrimonial não reflete com perfeição o valor justo.”

Para Rodrigo França, portfolio manager da Devant Asset, alguns dos segmentos listados estão com descontos exagerados, mesmo com o cenário ruim. Ele cita o setor de logística, onde há uma expectativa de crescimento da demanda para a maioria dos ativos. Ele também coloca nessa lista de “exageros” os fundos de fundos (FOFs), já que carregam duas vezes o desconto nos preços: um no preço do próprio FOF e outro acumulado pelo segmento que ele representa.

Os analistas sugerem maior seletividade no segmento de lajes corporativas, uma vez que há receio quanto à demanda por esses ativos em regiões secundárias, fora de São Paulo, por exemplo. Para o setor de shoppings, a expectativa é de evolução gradual, porque o quadro melhorou com o avanço da vacinação contra a covid-19, mas é preciso verificar o comportamento dos índices de inadimplência no varejo pelo impacto da inflação.

“A recuperação das cotas vai variar muito de segmento e fundos. O investidor precisa ser seletivo, priorizando qualidade, localização e preço”, afirma Ricardo França, analista da Ágora Investimentos.

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