Dólar cai a R$ 5,017 com apetite global por risco; moeda perde 10% neste ano

A cotação variou nesta sexta de 5,077 reais (+0,79%) e 4,9935 reais (-0,87%)
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O dólar fechou nesta sexta-feira no menor valor em mais de uma semana, na casa de 5,01 reais, depois de chegar a oscilar em torno de 4,99 reais, com fluxo estrangeiro beneficiando o real em meio a uma melhora gradual dos mercados externos ao longo da tarde.

O dólar à vista caiu 0,40%, a 5,017 reais na venda, menor patamar desde o último dia 9 (5,0124 reais).

A cotação variou nesta sexta de 5,077 reais (+0,79%) e 4,9935 reais (-0,87%).

Lá fora, o dólar subia 0,27% contra uma cesta de pares, mas mostrava menos da metade da alta vista mais cedo. A perda de fôlego da moeda no exterior deu ânimo aos vendedores por aqui, empurrando a divisa novamente abaixo da marca psicológica de 5 reais.

De forma geral, o dia foi de apetite por ativos de maior risco no mundo, o que tende a amparar o câmbio. O dólar australiano, correlacionado às commodities, subia 0,5%, e as bolsas de valores em Wall Street fecharam em firmes altas [.NPT].

O noticiário sobre a guerra na Ucrânia seguiu no radar, bem como as relações EUA-China. O presidente dos EUA, Joe Biden, e o presidente chinês, Xi Jinping, falaram por videochamada nesta sexta-feira sobre a invasão da Ucrânia pela Rússia. A mídia chinesa disse que Xi sublinhou que tais conflitos não são do interesse de ninguém, o que acalmou os nervos de investidores em relação à possibilidade de a China eventualmente dar suporte a Moscou na guerra.

As esperanças de avanço nas negociações de paz no leste europeu deram o tom da semana, o que abriu espaço para nova queda do dólar – no Brasil, a moeda perdeu 0,73%, aprofundando a queda em março para 2,70%. Em 2022, a moeda cede 9,98%.

O real teve na semana a segunda melhor performance comparado a seus principais pares, perdendo apenas para o peso mexicano, e segue, com folga, na liderança do ranking de desempenho das principais moedas neste ano frente ao dólar.

“O principal produto da pauta de exportação do Brasil é o CDI. A gente exporta CDI desde sempre. Quando flertou com movimento de levar o CDI para aquelas mínimas, o dólar subiu. Agora é o contrário”, disse Roberto Serra, gestor sênior de câmbio da Absolute Investimentos, referindo-se à atratividade aos olhos do estrangeiro para investimentos na renda fixa brasileira com o juro de dois dígitos.

Mais fluxo para o mercado local significa mais dólares a serem vendidos, o que aumenta a oferta da moeda e, consequentemente, baixa seu valor.

“É difícil saber até onde vai esse movimento –tem o Fed no meio do caminho, por exemplo–, mas o CDI, sim, aguenta muito desaforo”, completou.

O CDI é a taxa de juros cobrada entre os bancos em operações diárias e atualmente está em 11,65% ao ano. A Selic –taxa básica de juros da economia– está numa meta de 11,75% ao ano, após a alta de 1 ponto percentual pelo Banco Central nesta semana. E o retorno nominal de um ano de contratos a termo de taxa de câmbio está em 12,6%, nas máximas em seis anos.

Por todas essas métricas o Brasil tem uma das maiores taxas nominais e reais do mundo emergente, o que ajuda a explicar a valorização cambial neste ano.

Mas esse certo “frisson” com a moeda brasileira pode ficar em xeque, pelo menos com base no posicionamento de especuladores que operam na Bolsa de Chicago. Pelos dados mais recentes compilados pela CFTC –referentes ao período de sete dias findo em 15 de março–, esse grupo de investidores fez nesse intervalo a primeira venda líquida de reais desde o começo de fevereiro e no maior volume desde meados de janeiro.

Com a venda líquida de 6.333 contratos, o estoque “comprado” em real caiu do recorde de 50.496 contratos para 44.163 contratos. De todo jeito, embora em menor número, os especuladores ainda veem apreciação da moeda brasileira.

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