Magazine Luiza (MGLU3) espera melhora gradual de margens, faz ajustes para se adequar à demanda

As ações do Magazine chegaram a despencar mais de 10% no início dos negócios nesta terça-feira

O Magazine Luiza (MGLU3) deve apresentar uma melhora gradual de seus resultados nos próximos trimestres, em meio a ajustes que incluem redução de volumes de estoques e retirada de parte de benefícios a vendedores de seu marketplace diante do cenário inflacionário do país, afirmou o presidente da companhia, Frederico Trajano, nesta terça-feira (15).

Na noite da véspera, a empresa divulgou que sua margem de lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ficou negativa em 0,1% no quarto trimestre ante 5% positivos no mesmo período de 2020. As ações da companhia chegaram a despencar mais de 10% no início dos negócios nesta terça-feira.

“Não estávamos esperando toda essa desaceleração econômica (do final de 2021) e estamos preparados agora. Este ano as margens vão melhorar gradualmente”, disse Trajano em conferência com analistas.

“No primeiro trimestre ainda temos ajustes para fazer, ajustes de capacidade, mas estamos vendo uma melhora em relação ao quarto trimestre, principalmente a partir de março, e isso vai continuar com o tempo, à medida que formos tendo sucesso nas iniciativas”, acrescentou.

Segundo Trajano, a empresa tinha uma capacidade de atendimento dimensionada para um volume de vendas que acabou não ocorrendo no final do ano passado e com isso a companhia passou a promover ajustes em custos fixos e variáveis, além de equipe, para dimensionar a estrutura do grupo “para o volume que o mercado está suportando neste momento”. Ele não deu detalhes.

Porém, entre as medidas citadas durante a conferência, a empresa disse que reviu a política de frete grátis, que em setembro oferecia até 100% de desconto para os vendedores na plataforma. A partir de fevereiro o desconto passou a ser de até 75%. Já a comissão cobrada dos vendedores teve percentual mantido, mas a empresa agregou uma tarifa de 3 reais a ela, disse o responsável pelo marketplace do Magazine Luiza, Leandro Soares, “para ficar economicamente viável”.

A rival Americanas também promoveu mudanças em políticas para vendedores em sua plataforma em fevereiro. A empresa introduziu um sistema de cobrança de comissão que varia de acordo com a categoria do produto. Antes, o percentual era aplicado de forma linear.

Grande parte do estoque excessivo que o Magazine Luiza carregou após o final do terceiro trimestre do ano passado foi reduzida com liquidações promovidas pela empresa no quarto trimestre e início deste ano. Com isso, a gerente de relações com investidores, Vanessa Papini, afirmou que em fevereiro e março os níveis de inventários voltaram a ser “muito mais adequados”.

Segundo Trajano, o cenário macroeconômico atual não muda a estratégia do Magazine Luiza de expandir seu ecossistema em torno do marketplace, oferecendo serviços completos, incluindo financeiros e de publicidade, para vendedores na plataforma.

Entretanto, na frente de fusões e aquisições, a ordem agora é para que as equipes se concentrem em seu próprios ativos. “Vamos parar um pouquinho com novas operações e focar em fazer o melhor com aquilo que já esta no ecossistema”, disse o presidente do Magazine Luiza.

A empresa promoveu cerca de 20 compras de ativos nos últimos anos, incluindo Netshoes e Kabum!.

Diante da percepção do mercado que a companhia é muito dependente de categorias de bens duráveis, que têm sido prejudicadas pelo cenário inflacionário e de queda na renda dos consumidores, Trajano abriu pela primeira vez a participação das novas categorias no total vendido pelo Magazine Luiza.

As chamadas categorias de “cauda longa”, que envolvem produtos de valores menores, mas que fomentam a recorrência de compras na plataforma, foram responsáveis por 45% das vendas da empresa em 2021, cerca de 20 bilhões de reais anualizados. As categorias incluem moda e esporte, casa e decoração, beleza e entrega de alimentos, disse o executivo.

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