“A vitrine sempre foi dos homens. Isso mudou”; o que pensam as mulheres do mercado financeiro

Neste dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, a BM&C News conversou com algumas mulheres de destaque do mercado financeiro brasileiro sobre a participação feminina nesta área
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Por Naty Falla, Sophia Bernardes e Vanessa Loiola

O mercado financeiro cresceu e se popularizou no Brasil nos últimos anos, fazendo com que a participação das mulheres também ganhasse espaço. Apesar disso, elas ainda são minoria entre os investidores. De acordo com dados da B3, no final de 2021, as mulheres representavam 27% do total de investidores do mercado acionário, enquanto os homens ficaram com os outros 73%.

Nas mesas de operações e em outras áreas de destaque das principais corretoras e gestoras de recursos os homens ainda são maioria –  mas as mulheres já ocupam cargos importantes e mostram que o que vale mesmo é a experiência, a qualificação e os resultados obtidos.

Neste dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, a BM&C News conversou com algumas mulheres de destaque do mercado financeiro brasileiro sobre a participação feminina nesta área. 

 Sandra Blanco, estrategista-chefe da Órama

Sandra Blanco, estrategista-chefe da Órama, conta que seu dia começa e termina com uma atualização sobre os movimentos dos mercados financeiros e as notícias que influenciaram as altas e baixas.

“Uma vez por semana o time se reúne para discutir as tendências, os temas em pauta e atualizar as projeções e percentuais de alocações nas principais classes de ativos. No restante do tempo, me reúno com gestores, converso com investidores, participo de eventos, chats, entrevistas”, afirma a executiva.

Segundo ela, as mulheres estão ocupando cada vez mais posições de destaque no mundo das finanças.  “A mulher sempre esteve presente no mercado financeiro e tem espaço para ela. Mas a vitrine sempre foi dos homens. Isso mudou agora”, afirma.

Na opinião de Sandra, a participação feminina é fundamental em todas as equipes, independentemente do tipo de trabalho realizado. “A presença das mulheres faz muita diferença. As características peculiares de perfil feminino são complementares em uma equipe”, afirma a estrategista.

Para aquelas mulheres que têm como objetivo trabalhar no mercado financeiro, Sandra afirma que a busca por qualificação e conhecimento são fundamentais. Além disso, é preciso resiliência para lidar com todos os desafios desta área.

“É um mercado altamente competitivo, dinâmico e regulamentado. Erros podem resultar em prejuízos vultosos. O mercado é cíclico também. Traçar uma carreira de longo prazo também é importante.  Muita gente entra achando que vai ganhar dinheiro rapidamente e se frustra”, destaca a executiva.

Regina Politi – Sócia-fundadora da Giminetwork, Grupo Independente de Mulheres Investidoras

Regina Politi – Sócia-fundadora da Giminetwork, afirma que a ideia de criar o grupo surgiu em função de um divórcio que lhe causou um evento importante de liquidez.

“Por ser psicóloga, ter carreira clínica e total analfabetismo na área financeira, eu tive muita dificuldade de assinar a partilha”, disse.

Para cuidar do próprio patrimônio, ela decidiu fazer cursos de finanças, mas começou a gastar muito dinheiro com esse tipo de formação – que nem sempre atendia às suas necessidades como investidora.

“A minha ideia era apenas entender o mercado de opções, qual é o cenário, qual é a melhor maneira de proteger o patrimônio, uma vez que eu ia viver da renda desse patrimônio”.

Depois de convidar duas amigas, o grupo começou a fazer reuniões semanais na casa dela, mediadas por professores especializados em finanças e com a participação de outras mulheres interessadas em aprender mais sobre o mundo dos investimentos.

“Para ter sucesso na carteira de investimentos é preciso ter ponderação e análise. Nosso grupo se dispõe a fazer essa troca. A gente trabalha de forma educacional e trazemos esse espaço de conhecimento para as mulheres, que muitas vezes se sentem envergonhadas quando demonstram que não sabem determinado assunto”, afirma Regina.

Na opinião dela, as próprias mulheres precisam mudar esse “tabu” em relação ao mercado financeiro ser predominantemente masculino. “Elas precisam entender que são capazes e se conscientizar da importância de ter conhecimento financeiro. É preciso que elas saibam e entendam o que os outros estão fazendo com o dinheiro”, acredita.

Regina ainda ressalta que os homens do mercado sentem estranheza ao ver um grupo de mulheres independentes na área: “Eles não gostam, dá para sentir que eles acham chato. Esses homens acreditam que não temos um nível igual a eles e não gostam quando rebatemos, por exemplo, algumas estratégias deles. Mas tudo bem, não estamos aqui para agradar ninguém.” 

Priscila Araújo – Sócia e gestora de Renda Variável da Macro Capital

Para Priscila Araújo, sócia e gestora de Renda Variável da Macro Capital, os principais desafios estão na base. Antigamente, o mercado financeiro era entendido como uma área para homens e existe pouco interesse das mulheres por segmentos ligados à matemática, ciência, dados e tecnologia, por isso a oferta é menor.

Para isso, a gestora conta que fez um esforço muito grande para que tenham mais analistas mulheres em seu time.

Sobre o preconceito no mercado financeiro, Priscila diz que ainda existe: “Por ser mais séria, eu consegui navegar melhor nesse ambiente, mas acho que para isso você precisa ser um pouco mais ‘casca grossa’”, afirma.

Priscila explica também que em cargos de chefia é possível ver uma maior participação das mulheres ao longo do tempo, mas que ainda é desigual. “Eu acho que melhorou muito, mas o equilíbrio entre tarefas, esforços e tempo ainda é muito diferente entre homens e mulheres e para compensar ela tem que se provar mais. Por isso, acho que a mulher é muito mais focada e produtiva do que o homem”, destaca.

Em  relação à desigualdade salarial, Priscila conta que a mulher tende a ser mais passiva: “Chega no final do ano, ela espera receber do chefe dela, do supervisor ou do alto escalão o bônus que ela merece. Então, a mulher tende a esperar o reconhecimento e o mérito daquele trabalho que ela fez, diferentemente do homem, que tem uma postura mais agressiva e tende a brigar pelo bônus que ele acha que merece”, avalia.

Por fim, a gestora aponta também que a democratização dos investimentos fez com as mulheres também fossem mais participativas na Bolsa de Valores.

“Existem hoje mais apetite e interesse das mulheres em investir no mercado financeiro. A gente está dando pequenos passos por vez, mas a gente está caminhando na direção certa para um maior interesse das mulheres, seja sob a ótica de investimento em suas próprias carteiras, seja sob a ótica de trabalhar nesse mercado”, afirma.

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