BCs da América Latina devem seguir vigilantes com inflação, diz diretor do FMI

"Os países têm que lidar com questões fiscais no mesmo ano em que condições financeiras estão sendo apertadas. Esse também é um risco para a região", afirmou ele

Diretor do Departamento do Hemisfério Ocidental do Fundo Monetário Internacional (FMI), Ilan Goldfajn disse hoje que a alta inflação pode se tornar mais abrangente na América Latina. O ex-presidente do Banco Central brasileiro afirmou que a instituição, assim como o colombiano, tem obtido sucesso na resposta do avanço da inflação.

No entanto, em transmissão organizada pelo FMI, Goldfajn alertou que os BCs latinos devem seguir vigilantes, dado que parte das pressões inflacionárias são internas na região.

Em relação aos riscos para América Latina, o diretor apontou a necessidade de melhorar o potencial de crescimento local, realizar reformas estruturais e lidar com questões sociais e as diversas desigualdades presentes.

“Os países têm que lidar com questões fiscais no mesmo ano em que condições financeiras estão sendo apertadas. Esse também é um risco para a região”, afirmou.

Um dos exemplos ligados a reformas estruturais seria o de integrar trabalhadores informais para meios formais. “A informalidade foi o fator número um para tornar a pandemia mais custosa na América Latina. Precisamos trazer essas pessoas para o sistema”, disse Goldfajn.

O diretor destacou que há questões globais que pressionam a inflação, como preços de commodities e gargalos de oferta. Mas pontuou que, localmente, há fatores que também “não ajudaram a inflação”, como “indexação, mais inércia e problemas internos de oferta”.

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