Dólar cai a R$ 5,19 com fluxo de estrangeiros para carry trade

Mesmo que ocorra alta de juros nos EUA, o diferencial

O dólar furou os R$ 5,20 de forma pontual, descendo à mínima de R$ 5,1960 no mercado à vista no fim da manhã desta segunda-feira, 14. O economista-chefe da J.F.Trust, Eduardo Velho, afirma que o dólar volta a ficar descolado da alta do DXY, com fluxo em fevereiro inteiro e com os estrangeiros ainda buscando maior rentabilidade no Brasil diante da inflação resistente e Selic em alta, enquanto o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) pode ser cauteloso e adotar aperto de 0,25 ponto porcentual dos Fed Funds em março.

O presidente do Fed de St Louis, James Bullard, reiterou em entrevista à CNBC nesta segunda-feira que continua esperando que os juros básicos americanos subam 100 pontos-base até julho, mas não significa que em março o consenso do Fed será de alta maior que 0,25 pp, diz Velho.

Mesmo que ocorra alta de juros nos EUA, o diferencial de juros ainda vai favorecer mais o Brasil, avalia. De todo modo, ele observa também que o mercado local não está totalmente precificado de que vai ter guerra da Rússia contra Ucrânia e pode reagir mal em caso de eventual piora do cenário geopolítico no leste europeu.

Lá fora, o mercado dá uma realizada com o petróleo após o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov afirmar que Moscou está disposto a continuar as negociações para reduzir as tensões na Ucrânia, avaliou. A commodity atingiu máximas desde 2014 durante a madrugada de hoje. Já o dólar volta a subir ante pares principais em meio a alta dos juros dos Treasuries e da fala de Bullard, que disse também estar tentando convencer o Fed a acelerar a retirada de estímulos monetários, diz o economista.

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