EXCLUSIVO: como os brasileiros que moram na Rússia e Ucrânia enxergam a situação?

Vale lembrar que a BM&C News tem um vídeo explicando tudo sobre como essa possível tensão pode impactar a economia no Brasil.

Na última sexta-feira (11), o conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca, Jake Sullivan, declarou que a Rússia pode iniciar uma invasão à Ucrânia ainda durante as Olimpíadas de Inverno em Pequim, que devem finalizar no dia 20 de fevereiro. Durante uma coletiva de imprensa, Sullivan ressaltou que os cidadãos norte-americanos devem deixar a Ucrânia imediatamente.

“Continuamos a ver sinais de escalada russa, incluindo novas forças chegando à fronteira ucraniana”, declarou Sullivan. Ainda segundo o conselheiro, os Estados Unidos confiam integralmente na força do Ocidente, destacando as tensões entre o país norte-americano, a Rússia e a China.

Com o aumento das tensões, os índices acionários norte-americanos viraram para forte queda na sexta e reverteram a leve alta registrada no início do pregão. 

Mas, como o cidadão que habita nesses países está enxergando toda a situação? Para isso, conversei com Igor Almeida Farizato, 26, estudante de Engenharia Mecânica que habita em Samara, na Rússia, há 3 anos e com Paula Corrêa Pereira, jornalista de formação mas que atua como modelo em Odessa, na Ucrânia, desde outubro de 2020. 

Na Rússia, tudo calmo

Igor Almeida foi à Rússia para estudar engenharia mecânica em Samara, a sexta maior cidade da Rússia, e que de 1935 a 1991 foi conhecida como Kuibyshev. O estudante de 26 anos afirmou à BM&C News que “a vida está seguindo normal como se nada estivesse acontecendo”.

“Olha, é claro que todos se preocupam com uma possível guerra, principalmente estrangeiros como nós que somos brasileiros, pois não é algo que nós já vivenciamos. Mas, entre os russos, não vejo que seja algo que esteja afetando o dia a dia”, afirmou Igor. 

de1e99b7 2b1f 4b40 be4a f76738da431d edited
Igor Almeida Farizato (Arquivo Pessoal)

O brasileiro inclusive brincou com um colega de sua faculdade sobre a situação: “cheguei a brincar com um amigo da faculdade que faz parte do que seria um tiro de guerra que tem dentro da instituição, e ele não demonstrou nenhuma preocupação”. 

Sobre alguma postura do governo russo, nada de diferente também.“O último pronunciamento oficial feito pelo presidente Putin foi após o encontro com o Macron”, disse o estudante. 

Em relação às ameaças de sanções econômicas por parte dos EUA, as novas sinalizações de uma regulamentação do Bitcoin pelo BC russo e as reservas internacionais em mais de US$ 600 bilhões, trazem uma certa calma ao país, indica Almeida. Já em relação ao preço do gás, só há diferenças no preço de exportação. No cotidiano, continua no mesmo nível de preço. 

Na Ucrânia, rotina também continua normal

Paula Pereira Corrêa, jornalista de formação, mas que atualmente atua como modelo, mora em Odessa, ao sul da Ucrânia, cidade que fica bem de frente pro Mar Negro. Habita com seu marido, que é ucraniano, desde outubro de 2020 no País.

Sobre como é viver nos últimos meses no País, Paula afirmou à BM&C News que: “Olha, vou te dizer que daqui, se a gente só acompanhar o noticiário ‘local’ a vida segue sem estresse, sem alardes. Mas acompanhar a mídia internacional é quase um desafio psicológico”.

“Aqui está tudo bem. Eu, assim como a maioria dos ucranianos que conheço aqui, estamos ainda confiantes na possibilidade de um acordo diplomático. Claro, a ameaça de uma invasão é real, mas não é o que acreditamos que de fato acontecerá”, afirmou a brasileira.

O clima, inclusive, continua muito tranquilo. “Creio até que os estrangeiros parecem mais assustados.. claro, há sim pessoas que estão muitíssimo preocupadas e que estudam formas de deixar o país. Mas eles não representam a maioria e nem o ‘clima’ atual”, disse Paula. 

273503205 1011129609475329 1975200691538519812 n
Paula Pereira Corrêa (Arquivo Pessoal)

A brasileira completou: “não notei qualquer mudança drástica ou fora do comum diante deste contexto. No mercado, está tudo bem. Por exemplo, as pessoas não estão fazendo estoque de alimentos em casa”.

Quando perguntada se essa calmaria se daria pelo povo ucraniano estar de certa forma “acostumado” com esse tipo de tensão geopolítica, a modelo afirmou: “Acho que sim, mas não só pela questão do ‘costume’ com a ameaça – embora isso talvez pese bastante. Acho que apesar do histórico (de anexação da Crimeia e das atuais regiões de conflito), como povo eslavo, é difícil imaginar um conflito de dimensões tão grandes (como a mídia parece estar preparada pra ver)”.

A cidade em que Paula habita, é nítida a proximidade que a Rússia tem sobre a população local: “aqui em Odessa, por exemplo, o idioma russo é o mais falado. Eu posso afirmar com tranquilidade que cerca de 85% a 90% das pessoas falam russo no dia a dia. E eles sabem ucraniano, claro. Essa ‘proximidade’ pelo idioma, não significa que eles sejam ‘pró-Rússia’, mas acho que deixa muito clara a influência e as relações com o país vizinho”. 

E o que tudo isso afeta em seus investimentos aqui no Brasil?

Vale lembrar que a BM&C News tem um vídeo explicando tudo sobre como essa possível tensão pode impactar a economia no Brasil. Para assistir é só clicar abaixo.

Compartilhe:

Matérias relacionadas