Tesouro Direto: por que alguns títulos caíram quase 30% em um ano?

A precificação dos títulos é conhecida como “marcação a mercado” e é feita diariamente pelo Tesouro Nacional

O Tesouro Direto é um dos investimentos que mais ganhou popularidade nos últimos anos, mas as características desta aplicação ainda deixam os investidores iniciantes confusos.

Os títulos prefixados e atrelados à inflação, por exemplo, podem apresentar rentabilidade negativa em determinado período, mas você sabe por que isso acontece?

A maneira mais simples de explicar essa oscilação de rendimento é com um exemplo. Então imagine que um investidor X comprou em janeiro de 2022 um título Tesouro Direto Prefixado com vencimento em 2026 e que paga juros de 11% ao ano. Por este título esse investidor pagou R$ 700.

Agora suponha que daqui a um mês um título idêntico a esse passou a ser oferecido no site do Tesouro Direto com uma taxa de 13% ao ano, pelo mesmo preço de R$ 700.

 Você concorda que se quiser vender o seu título, o investidor X terá que aceitar receber menos do que os R$ 700 que ele pagou? Afinal de contas, o seu papel oferece um retorno bem menor do que aqueles que estão sendo vendidos agora pelo Tesouro.

Essa precificação dos títulos é conhecida como “marcação a mercado” e é feita diariamente pelo Tesouro Nacional, dependendo sempre da curva de juros futuros. Quando os juros futuros sobem, a tendência é que o preço dos títulos diminua. Já quando os juros futuros caem, o preço dos títulos aumentar e o investidor que fizer o resgate poderá ter um bom lucro com a operação.

Outro ponto que impacta na volatilidade é o vencimento do papel. Quanto maior for o prazo do título, maiores são as oscilações de rentabilidade durante a vigência, tanto para mais quanto para menos.

Mas é importante lembrar que essa variação de preços só é válida para quem vende o título do Tesouro Direto antes do vencimento. O investidor que mantém a aplicação até a data estipulada receberá o valor integral que foi acordado no momento da venda, sem nenhum tipo de prejuízo.

Também é importante destacar que o retorno negativo na renda fixa não é uma exclusividade do Tesouro Direto, mas sim uma característica de títulos com retorno prefixado ou híbridos (que mesclam uma parte prefixada com outra pós-fixada).

Retorno negativo do Tesouro Direto nos últimos meses

Para ver como o retorno dos títulos oscila, basta acessar a página de rentabilidade acumulada do Tesouro Direto e observar o retorno de cada título em diversos vencimentos. O Tesouro IPCA + com vencimento em 2045, por exemplo, acumula queda de 28,33% em 12 meses.

Já o Tesouro IPCA + 2035 cai 12,47% no mesmo período, enquanto o Tesouro IPCA+ com juros semestrais 2055 recua 11,57% em 12 meses.

Os prefixados também apresentam retornos negativos. A maior queda é do Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2031, que perdeu 12,98% em 12 meses, seguido pelo Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2029 (-11,07) e pelo Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2027 (-8,22%).

A forte queda da rentabilidade dos papeis neste período aconteceu por conta da alta dos juros futuros. Com a inflação cada vez mais alta e a necessidade do Banco Central de aumentar os juros para conter o avanço dos preços, os juros futuros dispararam, fazendo com que o preço dos papéis que já estavam no mercado diminuísse.

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