Tesla: Nem Musk acredita em valorização da companhia?

Ações da Companhia caíram mais de 6% nos últimos dias

Desde que Elon Musk, CEO da Tesla, vendeu mais uma parte de suas ações na segunda-feira, dia 13, as ações da companhia já acumulam uma queda de 6,83%. E com isso, a montadora de carros elétricos volta a ficar no radar dos investidores, só que desta vez, a pergunta é sobre uma possível bolha no valor da empresa.  

Muitos investidores têm perguntado se as ações da Tesla estariam esticadas demais ou se ainda poderiam ter espaço para mais valorização. As dúvidas começaram depois que o Elon Musk se desfez de parte de suas ações.

Nesta semana ele elevou para US$ 14 bilhões, o total de ativos da empresa vendidos desde o início de novembro. O processo, segundo Musk, é para cumprir uma pesquisa que ele fez em suas redes sociais perguntando se deveria vender 10% da sua participação na companhia.

A maioria dos seguidores teria respondido que “sim”. Mas há quem diga que Elon Musk estaria vendendo sua participação por ele próprio acreditar que as ações da companhia já chegaram no seu topo de valorização.

O analista e investidor, Michael Burry, que ficou famoso por prever o fim da “bolha imobiliária” norte – americana, que levou à crise econômica global entre 2008 e 2010, está apostando pesado contra a montadora.  A Scion Asset Management, empresa de gestão de investimentos de Burry, já anunciou ter opções de vendas da Tesla.

A opinião do investidor britânico Jeremy Granthan, também conhecido por antever crises como as bolhas das empresas pontocom e do mercado imobiliário em 2008, também é semelhante à de Michael Burry.

Em entrevista à agência Bloomberg, Grantham destacou que as ações da companhia de veículos elétricos estão no centro de uma nova bolha e que a empresa tem “chance zero” de atender às enormes expectativas dos seus acionistas. Ele ainda destacou que a Tesla terá pela frente uma forte concorrência, ao citar os planos de montadoras tradicionais como Volkswagen, BMW e Mercedes que também estão se preparando para se tornarem referências em carros elétricos.

O Estrategista-chefe da Avenue, William Castro Alves, disse durante entrevista à BM&C News, que não acredita em bolha, mas que acha as ações da empresa estão caras.

“Como uma empresa produtora de carro e avaliando o que gera de resultados, eu acho ela caro. Não acho que compense no patamar risco retorno. O produto é bom, a marca é forte, mas quando olhamos crescimento futuro, concorrências, margens de lucros, valuation eu acho que o preço não condiz, não da margem de segurança pra quem comprar ações de tesla hoje”.

O estrategista ainda ressaltou que grande parte do resultado da Tesla deriva dos benefícios fiscais que a montadora tem por produzir carros elétricos. “Quando tira isso, que outras montadoras de carro à combustão não têm, você equaliza a margem de lucro da empresa. Quando ela não consegue entregar o crescimento, você deveria dar um desconto nas ações da tesla.”

Apesar da queda dessa semana, os ativos da companhia acumulam uma alta de 27,79% em 2021.

Setor de Tecnologia amargou quedas na semana

Além de sofrer com uma desvalorização, logo após o anúncio de Elon Musk  ter vendido  934 mil papéis da companhia, a Tesla ainda enfrentou mais quedas ao longo da semana. Desta vez, depois que a volatilidade tomou conta dos mercados mundiais.

Nos últimos dias, os bancos centrais dos EUA e da Europa se voltaram, em velocidades variadas, para políticas mais rígidas. Eles agora veem o controle dos preços como uma prioridade mais alta do que proteger a produção e o emprego de novas consequências da pandemia.

Logo depois do Fed anunciar a aceleração do tapering e 3 aumentos de juros para 2022, o cenário fez com que os investidores começassem a questionar se as ações devem passar por uma fase mais difícil no ano que vem.

O estrategista chefe da Avenue, ainda explicou o que acontece com as companhias do setor de tecnologia quando os juros sobem. William Castro Alves levantou 2 pontos negativos.

O primeiro é que a maioria das empresas do setor ainda não gera caixa, exceto as “Big Techs” como Microsoft, Google, Facebook, Apple e a própria Tesla. Em geral elas brigam pelo capital alocado do investidor.  “Quando há um aumento na taxa de juros, muitos investidores preferem alocar sem correr riscos, por isso o mercado de renda variável reagiu mal na última quinta-feira, depois do anúncio do Fed”.

O segundo ponto negativo levantado pelo estrategista da Avenue é que o valor das empresas, da forma como o mercado calcula é derivado do Futuro. “Elas não dão lucro de imediato, a própria tesla por muito tempo não deu, então  ao fazer o valuation das empresas, aquele valor que ela vai gerar daqui 5 anos, trazido a valor presente muda muito de acordo com essa taxa de juros”.

O especialista em investimentos da Sarainvest, Alex André explicou que a maioria das ações tem desempenho inferior aos títulos do tesouro americano e somente algumas ações acabam por impulsionar o índice. “Seriam as ações de Apple, Google, Facebook (Meta), Microsoft e Amazon, que juntas correspondem para mais de um terço dos retornos do S&P ao longo dos últimos 5 anos”.

No gráfico do Bank of America é possível ver a relação das principais ações de tecnologia versos a Liquidez do Fed, que se mostrou flexível no ano passado, com injeções de estímulos crescentes e nada visto antes na história o que trouxe maior liquidez nos mercados, impulsionando o índice para cima.

De acordo como Alex André, a preocupação do investidor agora se separa em dois temas: Tapering, já que a economia vem se recuperando bem e o aumento de juros, para controlar a inflação.

“Tudo indica que a retirada de estímulos e a retomada dos juros podem prejudicar as empresas de tecnologia, a medida que estas dependem de juros mais baixo para se financiar e crescer em seus modelos de negócios, como também pelo valuation, onde o analista irá colocar na conta o maior custo de capital e repassar isso como menor valor presente na perpetuidade”.

Para 2022 a expectativa de retorno do S&P é menor do que em outros anos.

De acordo com Deutsche Bank, o S&P500 poderá ter um retorno médio de 4,2% no ano de 2022, por isso a visão dos analistas é moderada, quando observado que a média de retorno anual do índice é de 14,6% ao ano, incluindo os números de 2021.

19% dos analistas consultados na pesquisa acreditam em retorno negativo no índice no ano que vem, com o temor da inflação que talvez não seja temporária, prejudicando ainda mais a cadeia de suprimento e fazendo subir os juros em três momentos no ano que vem, o que poderá tirar a atratividade por risco em ações.

A retirada de estímulos, segundo o especialista Alex André, continua sendo um grande impulsionador para o índice, mas como tem data certa de terminar, em março de 2022, isso coloca o mercado em dúvida sobre a manutenção da economia mais aquecida com o fim destas iniciativas.

Tudo isso coloca às empresas de tecnologia mais dúvida devido ao aumento do custo de capital, onde o fator de crescimento é a principal característica destas empresas e que pode ser prejudicado com o movimento do Fed enxergando uma inflação maior (acima da meta) e se prologando por mais tempo do que se imaginava. Isso trouxe uma rotação de setores para as ações de valor, saindo-se em partes das ações de crescimento, que apesar de todas as preocupações de curto prazo, foram as principais protagonistas da alta do índice S&P500 nos últimos anos, segundo o especialista.

Confira mais sobre o assunto na entrevista abaixo:

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