Empresas que adotam práticas ESG são resilientes em momentos de crise, diz especialista

A prova disso é que no 1T20, 94% dos índices de sustentabilidade do mundo foram melhores do que as concorrentes

Quando se fala em empresas que adotam práticas de Governança Ambiental, Social e Corporativa, conhecida pela sigla ESG (Environmental, Social and Corporate Governance, em inglês), ainda existe uma ideia de que elas não trazem lucro devido aos investidores. No entanto, em entrevista ao BM&C Market, Maria Eugenia Buosi, sócia-fundadora da Resultante, desmistifica o assunto. 

“A gente olha para essa agenda como algo distante de resultado, mas quando começamos a fazer uma junção, entendemos que essas empresas tendem a ser geridas de uma forma melhor, além delas serem resilientes em momentos de incertezas e crises. A prova disso é que no primeiro trimestre de 2020, onde a pandemia estava no auge, 94% dos índices de sustentabilidade do mundo foram melhores do que as concorrentes”, avalia a especialista em conversa exibida nesta segunda-feira (13). 

Maria Eugenia ressalta que é nos momentos de incerteza que as empresas ficam resilientes e atentas às mudanças da sociedade, o que pode trazer bons resultados aos investidores. 

“A agenda ESG é uma tendência. A gente viu nos últimos anos o setor de investimento cada vez mais integrado às práticas, dentro de um processo de tomada de decisão de investimento. Isso faz com que ela não só continue sendo uma agenda técnica das companhias de reduzir impactos, mas que esse tema passe a compor a estrutura de capital das organizações”, diz a sócia-fundadora da Resultante.

Veja mais:

COMPANHIA BRASILEIRA DE ALUMÍNIO É DESTAQUE #CBAV3

A CBA se destaca quando o assunto é prática ESG, desde antes da abertura de capital da empresa. “O alumínio tradicional da Companhia é mais verde do que o alumínio verde das outras empresas [risos]. A gente tem visto que as companhias desse setor criam produtos com menor pegada de carbono. A CBA se destaca em organizar e demonstrar o que está gerando valor no mercado, não só no cenário corporativo, mas na própria pegada de produtos e serviços”, analisa Maria Eugenia. 

Quando a empresa olha para o ESG, a empresa adota uma prática de redução de desperdícios e isso é positivo no ponto de vista de branding, mas também tem efeito nos custos operacionais de uma companhia, explica a sócio-fundadora da Resultante.

“Elas passam a gastar menos, por exemplo no caso de energia. Outra questão importante é que a empresa começa a olhar mais para os colaboradores, olhando para o ponto de vista social”.

AGRONEGÓCIO PODE CONTRIBUIR PARA O ESG? 

Segundo Maria Eugenia, o agronegócio é o setor mais relevante para tratar essa agenda e por isso é preciso revertar a imagem internacional.

“Quando falamos de barreiras internacionais, a primeira coisa que falam lá fora é que o nosso agro desmata, destrói a amazônia… a gente precisa acabar com essa imagem, o Brasil precisa deixar de ser reativo em relação a isso, porque essa agenda não vai sumir do mercado”. 

“Para evitar que isso impacte negativamente a nossa balança comercial, é preciso mudar esse discurso em questão. (…) Quem olha do ponto de vista do mercado, sabe que existem oportunidades para que o Brasil se torne um agronegócio ainda mais competitivo em relação à agenda internacional. É preciso mudar o prisma do risco e revertar para uma oportunidade de negócio”, conclui.

Se inscreva no nosso canal e acompanhe a programação ao vivo.

Compartilhe:

Últimas notícias

Matérias relacionadas