Ibovespa tenta se recuperar com crise política no radar

Fechamento do Ibovespa
Foto: Pixabay

Ontem (8), a bolsa teve seu pior tombo desde março deste ano, fechando em baixa de 3,78%, aos 113.412 pontos. Nesta quinta-feira (9), o mercado de ações abriu com uma leve alta, tentando se recuperar.

Às 12h24, o Ibovespa amarga mais perdas e passa a cair 0,43%, aos 112.929 pontos.

Os papéis dos bancos, que abriram em alta, operam majoritariamente em queda: Bradesco ON (BBDC3) -0,99% (R$ 17,97); Bradesco PN (BBDC4) -1,04% (R$ 20,89); Banco do Brasil (BBAS3) +0,14% (R$ 28,44); Itaú (ITUB4) -0,03% (R$ 28,71); Santander (SANB11) -0,24% (R$ 37,142). O petróleo está em queda e a Petrobrás segue junto. Petrobras (PETR3: -0,12%, R$ 25,82; PETR4: -0,08%, R$ 24,95). Vale (VALE3: +0,65%, R$ 95,66).

Já as siderúrgicas vão na contramão da queda do minério na China (-1,46%) e estão entre as maiores altas do índice. Gerdau (GGBR4) +3,07% (R$ 27,88); Metalúrgica Gerdau (GOAU4) +2,85% (R$ 12,62); CSN (CSNA3) +2,74% (R$ 34,08); Usiminas (USIM5) +2,89% (R$ 16,04).

Política

O mercado financeiro continua sofrendo com atos do dia 7 de setembro, ficando de olho nos desdobramentos da crise institucional e política dentro do país. Para somar a essas preocupações, no dia de ontem (8), os caminhoneiros por todo Brasil começaram movimentos pró governo e contra os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), além de reclamarem do preço da gasolina.

Além do tumulto interno, O Banco Central Europeu disse que vai diminuir estímulos à economia, ou seja, nas compras de títulos do seu Programa de Compras de Emergência para a Pandemia, será a um ritmo mais lento do que nos últimos dois trimestres.

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Destaques

– B3 ON subia 2%, respondendo por relevante contribuição positiva, após despencar mais de 8% na véspera, em sessão sem tendência clara no setor financeiro, que também sofreu na quarta-feira. ITAÚ UNIBANCO PN cedia 0,1% e BRADESCO PN recuava 0,8%, enquanto BANCO PAN PN, BANCO INTER PN e BTG PACTUAL UNIT avançavam 5%, 3,35% e 1,5%, respectivamente.

– VALE ON rondava a estabilidade, tendo de pano de fundo queda do contrato mais ativo de minério de ferro de Dalian, na China, enquanto outros papéis do setor de mineração e siderurgia engatavam uma recuperação após forte declínio na véspera, com destaque para GERDAU PN, em alta de 2%. A Vale divulgou mais cedo atualização das suas estimativas para desembolso de caixa em 2021.

– PETROBRAS PN recuava 0,7%, em meio à fraqueza dos preços do petróleo no exterior, além das incertezas domésticas, em particular eventuais desdobramentos e reflexos da movimentação de caminhoneiros, que entre as reivindicações está a queda dos preços dos combustíveis.

– MÉLIUZ ON valorizava-se 3,5%, após a novata do Ibovespa afundar mais de 11% na véspera.

– LOCALIZA ON e UNIDAS ON recuavam 2,7% e 2%, respectivamente, corrigindo parte da forte alta da véspera, quando reagiram à recomendação da Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) de aprovação da fusão das duas companhias com a adoção de remédios que mitiguem riscos concorrenciais, que analistas consideraram mais brandos que o esperado.

Dólar

O dólar caía, mas continuava sendo negociado próximo dos 5,30 reais na manhã desta quinta-feira, e, segundo investidores, tem espaço para alcançar patamares ainda mais elevados em meio à grande tensão institucional doméstica, agravada recentemente por discurso mais agressivo do presidente Jair Bolsonaro.

Às 10:18, o dólar recuava 0,44%, a 5,3004 reais na venda. Embora tenha operado em território negativo por boa parte da manhã, o dólar chegou a ser negociado brevemente em alta, tocando 5,3350 reais na venda (+0,21%) no pico do pregão, alcançado por volta das 9h40.

Na B3, o dólar futuro caía 0,39%, a 5,313 reais.

Segundo Vanei Nagem, responsável pela Mesa de Câmbio da Terra Investimentos, a queda do dólar vista no início dos negócios desta terça feira seria apenas uma pequena realização de lucros, com o clima nos mercados continuando extremamente pessimista.

“Acho que hoje vai ser um dia nervoso, continua a mesma pressão” política vista na véspera, quando o dólar à vista saltou 2,84% no fechamento, para 5,3236 reais, sua maior valorização percentual diária desde 24 de junho de 2020 (+3,33%).

Em meio à incerteza institucional gerada por “queda de braço” entre os poderes, “a tendência do mercado é ir ainda mais para cima, e o dólar pode buscar uns 5,40 reais” no curto prazo, afirmou Nagem.

Marcos Weigt, head de tesouraria do Travelex Bank, concorda que as tensões em Brasília devem continuar atrapalhando o desempenho do real. “Acho muito difícil o dólar ficar abaixo dos 5,30 reais no curto prazo, a não ser que haja uma grande virada de jogo na política”, opinou.

Segundo ele, não fosse o intenso ciclo de elevação de juros do Banco Central — que eleva a atratividade do real para estratégias de “carry trade” — o dólar estaria em patamar ainda mais elevado.

Os investidores — que já apresentavam cautela sobre o cenário doméstico há semanas em meio a temores sobre a capacidade do governo de honrar suas obrigações e respeitar o teto fiscal — intensificaram o resguardo na esteira de discurso de Bolsonaro em atos do dia 7 de Setembro.

Na ocasião, Bolsonaro atacou, diante de apoiadores, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso e ameaçou descumprir decisões, dizendo que jamais será preso por “canalhas”. Bolsonaro repetiu que só sairia da Presidência “preso, morto ou com vitória”.

Elevando a apreensão dos mercados, a madrugada contou com paralisações em estradas de vários Estados brasileiros por caminhoneiros em apoio ao governo. O presidente vai se reunir ainda na manhã desta quinta-feira com representantes da categoria, disse Bolsonaro a apoiadores.

Com Reuters e BDM

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